Temer sonha com 2018. Cadê a pinguela?, por Altamiro Borges

Já que a mídia brasileira perde celeremente a sua credibilidade, um artigo publicado no jornal argentino Clarín nesta segunda-feira (17) promete agitar os bastidores do covil golpista em Brasília. Segundo o diário, o usurpador Michel Temer não descarta mais concorrer à presidência da República em 2018. O jornal ouviu algumas pessoas próximas ao Judas, que afirmam que ele será candidato à reeleição “se a economia decolar”. A reportagem lembra que até recentemente o peemedebista negava terminantemente a possibilidade de disputar o pleito. Ele receava que esta ideia implodisse o pacto mafioso que se formou para viabilizar o “golpe dos corruptos” que depôs a presidenta Dilma, dificultando ainda mais a sua gestão ilegítima. Agora, porém, ele já não guarda mais segredo para o seu entorno que sonha em continuar no Palácio do Planalto.

Logo que assumiu a interinidade, em maio passado, alguns integrantes do seu “ministério de notáveis” corruptos defendeu abertamente esta alternativa. De imediato, ela foi bombardeada pelos caciques do PSDB, partido que se considera o principal líder da conspiração golpista e natural sucessor no trono. O cambaleante Aécio Neves até chegou a ameaçar com a implosão da frágil aliança, afirmando que os tucanos não participariam do ministério golpista. José Serra, seu rival no ninho, não deu ouvidos para as bravatas do senador mineiro e logo topou virar “chanceler” – apesar da sua conhecida truculência diplomática. A rinha tucana assustou o Judas Michel Temer, que fez questão de desautorizar os seus afoitos capachos do PMDB e garantiu que não seria candidato em 2018. Demagogo e cínico, ele disse que o seu único desejo “é salvar o Brasil da crise”. 

Nos últimos dias, porém, cresceram as especulações de que o Judas Michel Temer mudou de plano e já encara o desafio de trair seus aliados de conspirata. Durante a reunião do Brics na Índia, nesta semana, o usurpador negou qualquer acordo prévio com os tucanos para o pleito de 2018. “Nós não temos nenhuma intenção de fazer aliança com o PSDB”, afirmou em entrevista coletiva. Para ele, as especulações sobre este acordo “são extremamente prematuras”. No mesmo rumo, o ministro Geddel Vieira, braço direito do golpista e famoso lobista do PMDB, descartou qualquer casamento por encomenda. “Primeiro nós temos que resolver os problemas do país, antes de pensar nos processos da eleição”. Agora, o jornal argentino Clarín garante que o usurpador não está disposto a entregar a rapadura e pretende disputar a presidência em 2018. 

Qual será a reação do PSDB nas próximas semanas? Em recente entrevista, o grão-tucano FHC afirmou, de forma deselegante, que Michel Temer seria “apenas uma pinguela”. Que seu papel era exclusivamente o de bancar as “medidas impopulares” para enfrentar a crise econômica para, na sequência, deixar o Palácio do Planalto com a sensação de dever cumprido. A tese sociológica do “príncipe da Sorbonne” evidentemente não agrada a gulosa cúpula do PMDB – o que talvez explique as recentes insinuações de Michel Temer e até mesmo a estranha reunião com FHC, em pleno feriado da semana passada, no Palácio do Jaburu. Os peemedebistas não estão dispostos a fazer o trabalho sujo – impondo várias maldades à sociedade brasileira – para depois entregar de mão-beijada o trono aos caciques do PSDB. 

Ou seja: a guerra fisiológica entre peemedebistas e tucanos se aproxima do seu momento de maior tensão, o que pode implodir o pacto mafioso que viabilizou o “golpe dos corruptos” contra a democracia brasileira. A conferir!

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