O Oleiro e o vaso, por Dário Gomes

Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão.
(Última parte)

No texto que abordamos na primeira parte desse comentário vemos que o vaso se quebrou nas mãos do oleiro, ou seja, no momento em que oleiro trabalhava com o barro.(Como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer. Jeremias 18:4) Desse modo é de se atentar para o fato de que o oleiro não quebrou o vaso, como alguns acham e até afirmam, mas que o vaso se quebrou, e isso nos leva a reflexão de que para se ter conserto em tempo hábil, é preciso que o vaso esteja nas mãos do oleiro , quando este ainda está em formação.(Porquanto qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. Lucas 14:11) Jó, o Patriarca, afirmou: ( Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza. Jó 42:6). O auto conhecimento humano nos faz ver o quanto somos pequenos e dependentes de um Deus que cuida de cada um de nós. À medida em que reconhecemos isso nos quebramos nas mãos do oleiro e Ele nos refaz quantas vezes forem necessárias.

O oleiro trabalha na formação do vaso, isso fala da formação do caráter cristão, mas é necessário saber que o processo é demorado, pois devido as falhas humanas e suas constantes recaídas, o processo é reiniciado. Paulo afirma que ainda não chegara à perfeição, mas que ansiava por chegar. (Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. Filipenses 3:12). Até chegar a estatura completa de Cristo. (Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, Efésios 4:13).

No caso o oleiro não quebra o vaso, mas o vaso se quebra. No caso do vaso ser quebrado pelo oleiro seria algo como uma correção da parte do oleiro para com o vaso, porém no caso do vaso se quebrar, é o reconhecimento do vaso de sua própria necessidade em reconhecer-se a si mesmo e nunca contender com o oleiro ou questioná-lo. .(Ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou a tua obra: Não tens mãos? Isaías 45:9).

Como é difícil reconhecer e aceitar nossas próprias falhas e imperfeições e por mais incrível que pareça só amadurecemos de verdade quando nos vemos a nós mesmos e temos ciência do que somos de verdade, não aquilo que dizemos ser ou aquilo que dizem que somos, mas a verdade que nós mesmos conhecemos e que temos dificuldade em aceitar. 

Nossas falhas, nossas fraquezas, nossas virtudes, nossos sucessos, nossas perdas, nossas alegrias, nossas tristezas, nossas incapacidades, nossas enfermidades e muitas outras coisas fazem parte da vida de qualquer um de nós, o bastante é reconhecermos e nos colocarmos nas mãos de quem pode nos moldar e até mudar nossa história. 

Quando iniciamos o caminho da fé nos sentimos grandes, embora sejamos tão pequenos, ao caminharmos por algum tempo descobrimos que somos tão pequenos , embora alguém nos considere grandes.

Há, na verdade um aperfeiçoamento, gradativamente somos aperfeiçoados, somos como a pequena semente de mostarda, crescemos e nos tornamos uma árvore, porém sem nunca nos esquecermos de nossa origem. 

(O qual é, realmente, a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos. Mateus 13:32)

Sejamos tal qual e cresçamos sabendo de que, enquanto estivermos nas mãos do grande oleiro, poderemos nos quebrar quantas vezes forem necessárias e quantas vezes forem necessárias Ele nos refará e nos aperfeiçoará para sermos conforme o caráter de Cristo.

Um abraço e até a próxima, se Deus permitir.

*Dário Gomes de Araujo é Evangelista lotado na Igreja Evangélica Assembleia de Deus e atual gestor na cidade de São José do Egito.

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