Surto de coronavírus lembra racismo e xenofobia contra orientais no Brasil

Por Leonardo Sakamoto

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Imagem: Foto: Kevin Frayer/Getty

Uma estudante de Direito denunciou ter sido vítima de racismo e xenofobia por uma passageira do metrô do Rio de Janeiro, neste sábado (1). "Essa mulher esperou eu me dirigir para a porta do vagão para gritar 'olha lá a chinesa saindo, sua chinesa porca', 'nojenta' e 'fica aí espalhando doença para todos nós'", postou Marie Okabayashi no Twitter, com um vídeo da agressora.

O surto do novo coronavírus veio acompanhado de outro, de xenofobia e racismo contra chineses e orientais. Histórias de pessoas que, por terem os olhos puxados, sofreram preconceito em espaços públicos, mesmo estando sãs, avolumam-se em vários países. Na França, relatos podem ser lidos na hashtag #JeNeSuisPasUnVirus - "NãoSouUmVírus". O preconceito e o ódio contra o estrangeiro se aliam à discriminação devido a características físicas, sociais e culturais de grupos étnicos.

No Brasil, isso não é novo. Muitas vezes passa despercebido por conta da integração dessas minorias à elite branca brasileira. Mas, inevitavelmente, elas são lembradas que nem toda diferença é tolerada.

Negros e indígenas sofrem racismo estrutural no Brasil. As instituições públicas e a sociedade foram programadas, desde a fundação do país, a excluir sistematicamente esses grupos de direitos que outros possuem, o que se traduz em piores oportunidades de trabalho, no pouco acesso à educação de qualidade, na violência de gênero mais agressiva, no tratamento genocida por agentes de segurança pública. É diferente do racismo sofrido por outros povos, o que não significa que ele não existe.

Às demonstrações de preconceito nas redes sociais por conta do coronavírus, soma-se, recentemente, a ignorância orgulhosa presente nas ofensas ao jogador japonês Keisuke Honda, nova aquisição do Botafogo para temporada. Ou ao youtuber Pyong Lee, descendente de coreanos e participante do Big Brother Brasil.

Ou ainda as declarações do presidente da República, destilando xenofobia e racismo sobre a jornalista Thaís Oyama, autora de um livro sobre o primeiro ano de seu governo. "Esse é o livro dessa japonesa, que eu não sei o que faz no Brasil, que faz agora contra o governo." Detalhe: ela nasceu em Mogi das Cruzes (SP).

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