A moeda americana teve cotação máxima de R$ 4,1032 nesta sexta-feira, depois de atingir, na quinta, o maior valor desde setembro de 2018; Ibovespa abriu em queda, mas se recuperou
Luciana Antonello Xavier, Silvana Rocha e Maria Regina Silva
O Estado de S.Paulo
O conturbado cenário político no Brasil continua afetando o mercado nesta sexta-feira, 17, em meio à cautela no exterior. O dólar começou o dia em alta, chegando à máxima de R$ 4,1032 Às 13h25, a moeda era cotada R$ 4,1007, com valorização de 1,61%. Na quinta-feira, 16,
o dólar à vista fechou cotado a R$ 4,0357, no maior valor desde setembro de 2018, e a Bolsa caiu 1,75%, chegando aos 90.024 pontos.
O desânimo dos investidores com o Brasil voltou a conduzir os negócios na B3, que chegou à minima de 89.694,96 pontos na manhã desta sexta. Às 13h21, porém, subia 0,93%, aos 90.857,41 pontos.
Além dos temores sobre a evolução da reforma da Previdência, o quadro internacional não deve favorecer os ganhos nas bolsas. As preocupações com
disputa comercial entre China e Estados Unidos e o temor de uma eventual saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo deixam os investidores na defensiva no exteiro, o que se reflete também na Bolsa brasileira.
Moeda americana começa mais um dia em alta nesta sexta-feira.
Foto: Fabio Motta/Estadão
Se essa dinâmica negativa for confirmada, Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença DTVM, não descarta a possibilidade de o Ibovespa voltar a ser negociado perto de 80 mil pontos ainda nesta sexta. "Aqui está tudo ruim quanto ao político e ao econômico. A reforma da Previdência não tem avançado e o lado corporativo também não ajuda, além do exterior. Podemos voltar para os níveis de setembro e outubro de 2018", diz.
Em 3 de outubro do ano passado, o índice à vista atingiu 81.622,97 na mínima do dia, enquanto no dia 28 de setembro a máxima foi de 80.000,09, tendo fechado em 79.342,43 pontos.
"Há preocupação com a governabilidade e a reforma da Previdência pela falta de articulação política do governo Bolsonaro e a proximidade do fim do primeiro semestre sem que nada importante de fato tenha sido entregue. Falta comunicação saudável e discurso coeso no governo, sem isso, qual o interesse do investidor em trazer dinheiro para cá, não há", diz Italo Abucater, gerente de câmbio da Tullet Prebon Brasil.
Incerteza política
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