Petróleo amanhece em leve baixa, bolsas em estabilidade. Mas a única certeza é a incerteza

O mercado vive de prever o futuro, e às vezes acerta. O problema: hoje o futuro do petróleo, e da inflação global, só depende da cabeça de Putin.
 E ninguém faz a mínima ideia sobre o que se passa lá dentro.

Por Alexandre Versignassi e Guilherme Jacques
Revista Você S/A


O futuro próximo da nossa economia depende do que acontecer com o petróleo. Ontem, em seu Relatório Trimestral de Inflação (RTI), o Banco Central previu dois cenários.

Um é do "de referência". Aqui:

- Petróleo segue no patamar atual (perto de US$ 120) = inflação de 7,1% no final do ano.

O outro é o "alternativo":

- Petróleo volta para US$ 100 no segundo semestre = inflação de 6,3% no final do ano.
Num certo desafio à semântica, o RTI diz que o cenário alternativo "é o mais provável". Se é o mais provável, deveria ter outro nome. Mas essa é uma discussão para os acadêmicos da língua.

A confusão de termos talvez advenha de outra fuzarca, mais essencial. Fahad Kamal, investidor chefe do banco britânico Kleinwort Hambros deu a letra: "Os mercados tentam precificar algo basicamente impossível de precificar: o pensamento de Putin, sobre o qual nada se sabe", disse numa entrevista ao Wall Street Journal.

E arrematou: "Quanto mais tempo o conflito durar, maior será a inflação, menor será o crescimento econômico. Trata-se de uma incerteza maciça, radical".

Falou tudo. E em meio a mais um dia de incerteza radical, os futuros dos EUA abrem estáveis (veja abaixo) e o petróleo, em baixa de 0,76%, a US$ 118.

Se a trajetória seguir essa tendência segundo semestre adentro, a Selic para em 12,75%, de acordo com o BC. Caso ocorra ocorra o contrário, ou seja, se o petróleo for a um novo patamar de alta e manter-se por lá, 12,75% vai parecer pouco.

Se você quiser um cenário mais nítido, só há uma opção: pegue um avião para Moscou, dirija-se ao Kremlin, e peça para falar com o Vladimir.

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