Entenda por que investidores têm medo da inversão da curva de juros dos EUA

Bolsas americanas apontam para dia calmo, enquanto petróleo cai 3%

Por Tássia Kastner, Juliana Américo e Guilherme Jacques



Dinheiro tem valor no tempo – e é fácil de entender. Você tem R$ 5.000 na mão e decide comprar um iPhone. Legal. Mas você também pode guardar essa grana, desde que tenha a convicção de que esses mesmos R$ 5.000 vão ser capazes de comprar um aparelho melhor daqui um ano ou dois.

Para isso você investe o dinheiro, claro, ou a inflação vai tungar uma parte do que você tem. Só vai dar certo se o rendimento da aplicação for maior que a alta de preços. E como você abriu mão de andar por aí com um aparelho novinho hoje, vai querer ser recompensado com um trocado a mais. Quanto mais você adia esse sonho, mais grana você quer pelo seu investimento. Natural.

Isso explica por que a tendência é que os juros no curto prazo sejam sempre menores que no futuro. Todo mundo quer uma recompensa para deixar de gastar. A diferença de taxas no tempo é o que o mercado chama de curva de juros futuros.

Só tem um detalhe. Isso só funciona quando a economia caminha em suas condições normais de temperatura e pressão. Em que a economia vai continuar crescendo e todo mundo vai continuar precisando de dinheiro.

Agora que a inflação está escalando no mundo todo, bancos centrais estão correndo atrás do prejuízo e indicando um aumento de juros para contê-la. Esses juros são de curto prazo, que servem para enxugar dinheiro da economia. Quem quiser o seu dinheiro emprestado precisa pagar mais caro. Aí o dinheiro circula mais devagar pelas engrenagens da economia e a inflação começa a baixar.

Na cabeça dos investidores, isso quer dizer o seguinte. A inflação vai subir de uma maneira tão assustadora que o Fed (o Banco Central dos EUA) vai precisar apertar o torniquete dos juros para domar a alta de preços. Isso drena dinheiro de uma maneira tão atroz que o efeito colateral será o de jogar a economia americana em uma recessão.

Depois que o Fed indicou que poderá subir os juros dos EUA em 0,50 ponto percentual em maio, investidores se assustaram – o cenário base até então era 0,25 p.p.

A curva de juros futuros dos Estados Unidos começou a apresentar inversões na semana passada. A taxa de cinco anos estava mais alta que a de 10. Nesta segunda, houve mais uma inversão. Os juros de cinco anos estão mais caros que os de 30 anos. Isso não acontecia desde 2006, o período que antecedeu a crise imobiliária americana.

É muito cedo para saber se o fenômeno de 2022 vai levar a uma recessão. Em 2019, quando o Fed começou a subir juros nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos de dois e dez anos também se inverteram. A crise nunca chegou, mas houve uma pandemia e a política de juro zero que levou à inflação.

No fundo, investidores tratam a curva de juros como os cavaleiros do apocalipse.

Ainda assim, o medo hoje está reduzido. Os futuros das bolsas americanas operam perto da estabilidade.

No mundo mais concreto, o aumento de casos de covid voltaram a preocupar a China. Desta vez, o governo determinou lockdown de nove dias em Xangai – principal centro financeiro do país. A paralisação de Xangai acabou gerando um temor de menor demanda de combustíveis, o que ajuda a baixar o preço do petróleo. A commodity cai mais de 3%, mas ainda a cotação do barril permanece acima dos US$ 116.

Além disso, o mercado acompanha as negociações entre Rússia e Ucrânia. Ontem, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky afirmou que está disposto a discutir um status de neutralidade como parte de um acordo de paz. A neutralidade é uma exigência russa, que chegou a usar a Suécia e a Áustria como exemplo – e aí, a Ucrânia seria desmilitarizada e não poderia tomar partido em futuros conflitos. A nova rodada de negociação entre os dois países deve acontecer amanhã.


• Futuros S&P 500: 0,04%
• Futuros Nasdaq: -0,07%
• Futuros Dow: 0,08%
*às 8h00


• Índice europeu (EuroStoxx 50): 1,53%
• Bolsa de Londres (FTSE 100): 0,46%
• Bolsa de Frankfurt (Dax): 1,61%
• Bolsa de Paris (CAC): 1,52%*às 7h46


• Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): -0,63%
• Bolsa de Tóquio (Nikkei): -0,73%
• Hong Kong (Hang Seng): 1,31%


• Brent: -3,66%, a US$ 116,23*
• Minério de ferro: 0,42%, a US$ 153,80, na bolsa de Cingapura
*às 7h47


8h25 O Banco Central divulga o Boletim Focus com as expectativas atualizadas do mercado para juros, inflação, dólar e PIB.


Livre mercado?

O governo prepara uma medida provisória para tributar a compra de produtos via sites como Shopee e AliExpress. A medida foi anunciada pelo secretário especial da Receita Federal, Julio Gomes, e responde à pressão de varejistas do país, entre eles ​​o governista Luciano Hang, da Havan, e Alexandre Ostrowiecki, da Multilaser. Eles vinham reclamando que a concorrência dos sites chineses era desleal. Os sites chineses têm sido chamados de “camelódromos virtuais”, apelido que no passado era atribuído ao Mercado Livre.

Guerra 

A seguradora Zurich Insurance removeu, temporariamente, o seu logotipo nas redes sociais – era um "Z" branco em um fundo azul. Acontece que a letra “Z” se tornou um símbolo de apoio à invasão russa na Ucrânia e significa “Za pobedu" (pela vitória, em russo). A companhia, claro, não quer ser confundida. No início do mês, a Zurich também se uniu às companhias que estão boicotando o país. Ela afirmou que não renovará contratos existentes e nem aceitará novos clientes na região.


Com a palavra, os russos

O tsunami de sanções contra a Rússia, após a invasão da Ucrânia, atingiu mais que o Kremlin. Seja pela suspensão de exportações para o país ou das linhas de produção em território russo, os varejistas locais estão observando seus estoques aproximando-se do zero sem qualquer alternativa para repô-los. O The Guardian ouviu o relato de um deles. Leia aqui.

Diversificando o negócio

A varejista de brinquedos Ri Happy está analisando a possibilidade de fusões e aquisições de negócios nas áreas de saúde, educação e entretenimento – todos com foco no público infantil e adolescente. De acordo com Ronaldo Pereira, presidente da companhia, a primeira diversificação será com a abertura de um buffet infantil na Mooca, bairro da zona leste de São Paulo. O plano é abrir 100 unidades nos próximos três anos. Leia aqui.

VOCÊ/SA

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