Guedes: reajustes salariais "não têm sentido"

O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou o movimento dos servidores por recomposição salarial

FF Fernanda Fernandes
Correio Braziliense

(crédito: EDU ANDRADE/Ascom/ME)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou o movimento dos servidores por recomposição salarial. Segundo ele, aumentos de salários durante a pandemia não fazem "o menor sentido".

"Não deve haver reajuste de salários para cidades, estados e governo federal durante a pandemia. Qual o sentido de pedir reajuste, agora, quando temos essa crise ainda conosco, com essa variante ômicron?", questionou, durante a apresentação do resultado das contas públicas do ano passado.

O ministro afirmou que o bom resultado das contas — o deficit primário caiu para R$ 35,1 bilhões, o equivalente a 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) — ocorreu devido ao controle de gastos realizado pelo governo federal, incluindo a suspensão de reajustes salariais para servidores.

"Tivemos coragem de fazer, em tempos de guerra, o que não fazemos em tempos de paz, que é controlar o orçamento. Lá atrás, fizemos duplo compromisso de não faltar dinheiro para a saúde, mas isso não pode virar uma farra de aumentos salariais", disse Guedes.

O ministro também refutou avaliações de economistas de que a alta da inflação, ao engordar as receitas do governo, foi a principal responsável pelo controle das contas fiscais. "Uma falácia foi usada por economistas mais preparados dizendo que a inflação resolveu. Foi o controle das despesas", defendeu.

Guedes ressaltou a forte diminuição do rombo nas contas federais. Em 2020, devido às medidas para combater os efeitos econômicos da pandemia, o saldo foi negativo em R$ 743,3 bilhões.

"Houve muitas críticas, acusações de populismo fiscal, e o que temos agora é um resultado extraordinário", disse. "Uma redução como essa de um ano para o outro não acontecerá de novo na história, porque essa geração teve a coragem de fazer o sacrifício e travar as despesas para que não faltassem recursos, sem comprometer as futuras gerações."

Em termos reais, a receita líquida cresceu R$ 289,1 bilhões ( 21,2%) no ano passado, enquanto a despesa total diminuiu R$ 522,2 bilhões (-23,6%), segundo os dados do Tesouro Nacional.

Na avaliação de Felipe Salto, diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado Federal, o bom resultado de 2021 não deve se repetir neste ano. "O desempenho do ano passado deveu-se à base de comparação baixa, ao câmbio, às commodities e à inflação. Para 2022, as receitas perderão fôlego", disse.

Salto acredita que, como o próprio governo prevê na Lei Orçamentária Anual (LOA), o deficit fiscal deverá subir para R$ 79,3 bilhões. "A projeção atual da IFI é R$ 106,2 bilhões. A perda de fôlego da arrecadação e o aumento de despesas sociais com o Auxílio Brasil e outros gastos, a partir do espaço fiscal aberto no teto de gastos, levará ao aumento do déficit em 2022, em contexto também de juros em alta. A dívida pública deverá crescer", alertou.

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