Alckmin, Haddad e França lideram corrida para governo de SP, diz Datafolha

Ex-tucano larga na frente, mas articulação de chapa como vice de Lula pesa na disputa e abre caminho a outros cenários no estado

O GLOBO

Alckmin articula entrar como vice em chapa nacional com Lula para 2022.
 Foto: Paulo Whitaker / Agência O Globo

SÃO PAULO — O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (sem partido, após formalizar a saída do PSDB na última semana) lidera a corrida para o Palácio dos Bandeirantes, segundo pesquisa do Instituto Datafolha divulgada pelo jornal "Folha de S.Paulo" neste sábado. Em um dos cenários da pesquisa, ele é seguido pelo ex-prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) e pelo ex-governador Márcio França (PSB).


Como a campanha para o governo paulista ainda está em aberto, pois a indicação dos principais nomes dependem de acertos para a eleição presidencial, o instituto testou três cenários diferentes.

Na primeira hipótese, o ex-tucano larga na frente com 28% das intenções de voto. Depois vêm Haddad (19%), França (13%), Guilherme Boulos (PSOL, 10%) e o ministro Tarcísio Gomes de Freitas (sem partido, 5%). Arthur do Val (Patriota) aparece com 2% e Vinicius Poit (Novo) e Abraham Weintraub (sem partido), com 1%. Brancos e nulos somam 16%, e 4% dos entrevistados não opinaram.

Esse cenário não incluiu o vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), que já lançou sua pré-candidatura, uma vez que quando o levantamento começou a ser feito Alckmin ainda estava no PSDB e o instituto optou por não colocar na lista dois candidatos do mesmo partido.


O Datafolha ouviu 2.034 eleitores entre os dias 13 e 16 deste mês, em 70 municípios de São Paulo. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa vem à tona no momento em que PSB e PT articulam a formação de uma chapa com Alckmin e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa das eleições presidenciais no ano que vem. O plano é que o ex-governador se filie ao PSB, que o indicaria como vice em troca do apoio do PT ao ex-governador Márcio França na eleição paulista.

Neste cenário, em que nem Alckmin nem Haddad são apresentados como candidatos, França passa à liderança da corrida com 28%, seguido por Boulos, com 18%. Depois vêm, empatados, Tarcício e Garcia, com 8%. Arthur do Val fica com 4%, Weintraub com 2%, e Poit, 1%.


O acordo ainda está sendo negociado e não é certo que Alckmin se filiará mesmo ao PSB. Ele também tem propostas do PSD e do Solidariedade. Aliados esperam que ele dê uma resposta no ano que vem.

O Datafolha testou, numa terceira hipótese, uma situação em que o ex-governador fica de fora, mas o PT mantém a candidatura de Haddad. Neste cenário, o ex-ministro da Educação lidera, com 28% dos votos, mais que os 23% registrados há três meses, o que pode ser usado por petistas para não abrir mão da candidatura de Haddad tão facilmente.

França aparece com 19%, mesmo índice da pesquisa anterior, enquanto Boulos oscila de 13% para 11%. Em seguida vêm Tarcísio, que sobe de 6% para 7%, Garcia, de 5% para 6%, Arthur do Val, de 5% para 3%, Weintraub, de 2% para 1%, e Poit permanece em 1%. Os votos brancos e nulos somam 21%, e 4% não responderam.


Chama a atenção na pesquisa o desempenho baixo do candidato da situação. O PSDB ganhou todas as eleições para o governo paulista desde 1994, com Mário Covas, Alckmin, José Serra e João Doria. Tucanos argumentam que Garcia, atual vice de Doria, ainda tem margem para crescer entre os indecisos e pode até tirar votos de outros candidatos à medida que ficar mais conhecido — ele deve assumir o governo em abril, quando Doria deve se descompatibilizar para disputar a Presidência da República.

Além disso, o PSDB comanda mais de um terço das prefeituras do estado e tem um pacote de R$ 50 bilhões em obras para turbinar a candidatura do tucano. Saído do DEM, Garcia se filiou ao PSDB neste ano, o que contribuiu para que Alckmin saísse do partido.

Também registram baixo desempenho os candidatos bolsonaristas ao governo paulista. No cenário com mais pontuação, o ministro da Infraestrutura Tarcísio Gomes de Freitas soma 8% dos votos. Pesa para o resultado o fato de que os possíveis candidatos que estão à sua frente são todos veteranos de eleições. Por outro lado, há pelo menos um ano o presidente Jair Bolsonaro vem falando de que espera ter Tarcísio como candidato. Ele ainda não se filiou a um partido político nem trocou seu domicílio eleitoral.

Os resultados da rejeição dos eleitores dá margem para o crescimento de Garcia e Tarcísio. Entre os entrevistados, 18% disseram que não votariam de jeito nenhum no vice-governador e 16% falaram o mesmo do atual ministro. Os candidatos com índice de rejeição mais alto são Alckmin (35%), Haddad (34%) e Boulos (28%). No primeiro pelotão, França é o que tem a rejeição mais baixa (16%).

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