Robson Santos, do UOL, em São Paulo
O Palácio do Planalto já avalia como tentar se blindar de acusações de eventuais omissões ao longo da pandemia na
CPI da Covid, enquanto os senadores de oposição ou tidos como mais independentes miram as fragilidades do governo
Jair Bolsonaro (sem partido) nos últimos meses.
Ofensiva do governo
Uma das principais linhas de frente do governo na CPI deve ser a de apontar o mau uso de verbas federais repassadas a estados e municípios para tirar o foco da atuação do Ministério da Saúde e do discurso negacionista de Bolsonaro durante a maior parte da crise sanitária.
O Planalto estuda, inclusive, mobilizar um grupo de servidores para mapear a destinação desses recursos, e questionar se a falta de infraestrutura nas redes hospitalares, de medicamentos e insumos para a intubação de pacientes e da eventual vagareza na aplicação de vacinas não é culpa de ações tomadas por governadores e prefeitos. Ou seja, buscar terceirizar qualquer possível culpa.
Alguns dos principais alvos do governo federal deverão ser os governadores de São Paulo,
João Doria (PSDB), do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e da região Nordeste, como Rui Costa (PT), da Bahia, Camilo Santana (PT), do Ceará, e Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão.
Há a intenção ainda de atuar junto a senadores considerados de oposição a governadores desafetos do Planalto. Nesta estratégia, o governo utilizaria a influência dos políticos nos respectivos estados para amplificar a visibilidade dos eventuais problemas encontrados na aplicação dos recursos federais.
Por outro lado, além do ataque, o Planalto deve reunir dados avaliados como positivos para municiar os governistas na CPI.
Buscarão ainda ressaltar discursos de governadores tidos como agradecidos a Bolsonaro, como Mauro Carlesse (PSL), do Tocantins.
Enquanto isso, senadores de oposição ou tidos como mais independentes pretendem investir no que enxergam como fragilidades do governo federal, como o discurso negacionista de Bolsonaro.
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