Planalto tenta blindagem em CPI, e senadores miram fragilidades do governo


Robson Santos, do UOL, em São Paulo

O Palácio do Planalto já avalia como tentar se blindar de acusações de eventuais omissões ao longo da pandemia na CPI da Covid, enquanto os senadores de oposição ou tidos como mais independentes miram as fragilidades do governo Jair Bolsonaro (sem partido) nos últimos meses.

Os 11 senadores que vão compor a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foram anunciados e, em tese, a lista é desfavorável ao governo. O Planalto articula para emplacar um dos nomes menos críticos a Bolsonaro na presidência e na relatoria do colegiado, mas isso ainda não está fechado. Essa composição será decidida no voto entre os membros na primeira reunião da CPI, ainda sem data certa.

Até sexta (16), uma composição defendida por parte dos senadores era por Omar Aziz (PSD-AM) presidente, tido como independente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor do requerimento de criação da CPI, como vice-presidente, e Renan Calheiros (MDB-AL), na relatoria.

Ofensiva do governo

Uma das principais linhas de frente do governo na CPI deve ser a de apontar o mau uso de verbas federais repassadas a estados e municípios para tirar o foco da atuação do Ministério da Saúde e do discurso negacionista de Bolsonaro durante a maior parte da crise sanitária.

O Planalto estuda, inclusive, mobilizar um grupo de servidores para mapear a destinação desses recursos, e questionar se a falta de infraestrutura nas redes hospitalares, de medicamentos e insumos para a intubação de pacientes e da eventual vagareza na aplicação de vacinas não é culpa de ações tomadas por governadores e prefeitos. Ou seja, buscar terceirizar qualquer possível culpa.

Uma preocupação é quanto ao impacto negativo da CPI às pretensões de Bolsonaro de se reeleger em 2022, ainda mais com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de volta ao cenário.

Alguns dos principais alvos do governo federal deverão ser os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), e da região Nordeste, como Rui Costa (PT), da Bahia, Camilo Santana (PT), do Ceará, e Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão.

Há a intenção ainda de atuar junto a senadores considerados de oposição a governadores desafetos do Planalto. Nesta estratégia, o governo utilizaria a influência dos políticos nos respectivos estados para amplificar a visibilidade dos eventuais problemas encontrados na aplicação dos recursos federais.

Por outro lado, além do ataque, o Planalto deve reunir dados avaliados como positivos para municiar os governistas na CPI.

Buscarão ainda ressaltar discursos de governadores tidos como agradecidos a Bolsonaro, como Mauro Carlesse (PSL), do Tocantins.

Enquanto isso, senadores de oposição ou tidos como mais independentes pretendem investir no que enxergam como fragilidades do governo federal, como o discurso negacionista de Bolsonaro.

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