Essencial para a manutenção dos negócios, crédito segue restrito às indústria

Das empresas que recorreram à medida, 
apenas 15,85% conseguiram


Em meio aos impactos provocados pelo coronavírus nas empresas, o acesso ao crédito se tornou quase que uma unanimidade no que diz respeito à dificuldade na busca pela sobrevivência dos negócios. Estudo feito pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE) aponta que 84,15% dos entrevistados não conseguiram ter acesso ao recurso, o que confirma que as medidas anunciadas pelo Governo Federal e pelo Banco Central ainda não estão chegando ao setor produtivo.

Na visão do gerente de Relações Industriais da FIEPE, Maurício Laranjeira, de todos os aspectos debatidos nesta pandemia, o crédito é fundamental porque mantém o mínimo de capital de giro na empresa. “O que, de certo modo, torna capaz de segurar os empregos e de dar fôlego até que o cenário volte a sua normalidade”, analisou.

Segundo Laranjeira, a conjuntura fica ainda mais sensível quando os dados das indústrias que não conseguiram o crédito são analisados. Do total, 60,9% das respondentes são pequenas, 23,2% são de médias, 11,6% são de micro e 4,3% são de grandes empresas. “Este é um dos piores cenários, porque os pequenos negócios são os que mais precisam de recursos neste momento, pois eles já trabalham com um fluxo de caixa reduzido e com um planejamento também mais limitado, e quando acontece uma mudança drástica nesse fluxo, infelizmente, eles são os mais afetados”, revelou.

Ainda de acordo com o levantamento, 58,50% dos respondentes informaram ter buscado por linha de crédito, sendo que 30,5% pertencem à construção civil, 11,1% à indústria têxtil e 9,7% à indústria de alimentos. Neste quesito, boa parte foi de pequenos negócios, com 59,3%, seguido dos 23,3% das médias empresas, 10,5% das micro e 7% das grandes.

Para as indústrias respondentes, garantir esse crédito tem sido uma verdadeira via-crúcis. Dentre as dificuldades apontadas durante a solicitação, destacam-se que o limite disponível era abaixo do pretendido, com 69,23% dos respondentes, seguido do excesso de exigências por certidões negativas, com 46,15%, exigências de garantias e excesso de burocracia, ambas com 30,77%. “Perceba que são muitos entraves, e isso pode estar acontecendo pelo fato dos bancos estarem com receio de emprestar seus recursos com medo de calote. O Governo precisa dar garantias suficientes para deixar as instituições financeiras confortáveis ao ponto de flexibilizarem para as empresas”, frisou Laranjeira.

Ainda conforme a pesquisa, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Nordeste do Brasil (BNB) foram as instituições financeiras mais procuradas pelas indústrias pernambucanas durante o processo de acesso a crédito, com 53,66% e 51,22% das respondentes, que, aliás, também foram as que mais negaram crédito para as empresas pesquisadas. 

Dados

Para a pesquisa, a FIEPE coletou o material entre os dias 16 e 20 de maio, que contou com a colaboração de 147 respondentes. O foco da pesquisa foi na indústria pernambucana.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Em novo caso de nudez, corredora sai pelada em Porto Alegre

Filho deve substituir Aragão candidato em Santa Cruz