Desemprego e corte de políticas sociais aumentaram extrema pobreza no Brasil, diz especialista

SPUTNIK


O IBGE divulgou um estudo nesta semana revelando que os índices de extrema pobreza no Brasil são os maiores desde 2012. A Sputnik Brasil conversou com o economista Fábio Sobral sobre as principais causas para esses números.
Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o número de brasileiros vivendo abaixo da linha da extrema pobreza chegou a 13,5 milhões, ou seja, de pessoas que dispõem de menos de US$ 1,90 por dia, o que equivale a aproximadamente R$ 145 por mês. Este é o maior contingente de pessoas nesta condição na série histórica do estudo, iniciada em 2012.
Ao comentar os principais motivos que levaram o Brasil a esse índice, Fábio Sobral, professor de Economia da Universidade Federal do Ceará (UFC), em entrevista à Sputnik Brasil, citou o desemprego em larga escala e o corte de políticas sociais.
"Certos benefícios de prestação continuada [BPC] são fundamentais para evitar essa extrema pobreza. Mas principalmente a queda na atividade econômica leva a perda de empregos e isso gera um efeito em cascata, onde o emprego direto acaba fazendo aparecer os empregos indiretos. Setores comerciais demitem com a queda do consumo, setores industriais passam a não ter mais as encomendas desses setores comerciais, setores de transportes também são afetados, e aí ocorre esse efeito de associação", argumentou.
De acordo com o especialista, o aumento dos indicadores de pobreza extrema no Brasil afetam a capacidade de retomar o crescimento por conta da perda do poder de consumo da população, o que, de acordo com ele, gera um ciclo.
"A maior parte do consumo vem das pessoas que ganham até dois salários mínimos, e a redução desse pessoal significa uma redução significativa do consumo. As pessoas mais ricas tendem a aplicar no mercado financeiro os seus ganhos, além do que supera o seu consumo pessoal.
​Fábio Sobral cita que junto com um aumento de pessoas abaixo da linha da pobreza o Brasil tem um número de desempregados de mais de 12 milhões de pessoas, cerca de 24% da força de trabalho individual e informal, além de uma elevação em índices recorde de pessoas sem carteira assinada.
"Já existem mais trabalhadores informais do que formalizados, o trabalhador informal tende a trabalhar mais horas e a ganhar menos. Na verdade há um momento de substituição dos trabalhadores formalizados pelos trabalhadores informais, porque rende uma maior lucratividade para o capital", diz o especialista.
"Então a escolha por uma lucratividade imediata significa o desaparecimento de amplas parcelas de consumidores, o que acaba revertendo no aprofundamento da crise econômica", completou o economista.

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