Recife é a cidade pernambucana que mais investe em estudantes

Movimento Todos Pela Educação divulgou números do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019


Recife chega a investir R$ 7.333,40 em 
um estudante do ensino fundamental
Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem
Margarida Azevedo 


Somente quatro cidades pernambucanas destinam mais de R$ 4.300, anualmente, para custear cada estudante do ensino fundamental, numa escola pública da zona urbana e com um turno de aula. Esse valor é o estimado pelo Movimento Todos pela Educação para que as redes de ensino brasileiras consigam alcançar um patamar mínimo de qualidade. No Estado, a média anual de recursos vinculados à educação, por aluno, é de R$ 3.988,97.

A capital pernambucana, Recife, é a que mais investe, R$ 7.333,40, enquanto Panelas, no Agreste, é a cidade com menos verbas aplicadas por estudante, R$ 3.148,20. O Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019, lançado na última terça-feira (25) pelo movimento, em parceria com a Editora Moderna, chama a atenção para a disparidade dos valores destinados pelas prefeituras e Estados na educação pública.

O estudo revelou que em 2015 (ano que foi considerado na análise) o município de Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul, foi o que teve maior valor aplicado por aluno, R$ 19.500. O menor foi Buriti, no Maranhão, com R$ 2.900. Entre os Estados, São Paulo vinculou R$ 6,5 mil por estudante, o maior montante. Na outra ponta está o Maranhão, com R$ 3,5 mil.

“As desigualdades no financiamento da educação pública entre cidades e Estados acabam influenciando outros dados como os de aprendizagem”, destaca o coordenador do Núcleo de Inteligência do Todos pela Educação, Caio Sato. Ele ressalta que o valor de R$ 4.300 não é informado no anuário. “Foi calculado para embasar um outro estudo que realizamos sobre o Fundeb”, explica Caio. O Fundeb é o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica, principal mecanismo de financiamento, atualmente, destinado às cidades, para bancar as despesas educacionais.


Conforme esse levantamento, em Pernambuco, apenas Recife, Ipojuca, Olinda e Itamaracá, todos na Região Metropolitana, ultrapassaram R$ 4.300 anuais, por aluno. Outras cinco cidades gastaram entre R$ 4 mil e R$ 4.263,29: Paulista, Camaragibe, Cabo, Jaboatão e Goiana, além do governo estadual. Dos 175 municípios restantes, 171 desembolsaram menos de R$ 4 mil e mais de R$ 3 mil. Quatro cidades ficaram de fora do mapeamento.

"Apesar dos dados mais recentes ainda estarem longe do patamar educacional que o Brasil precisa para garantir um desenvolvimento social e econômico duradouro, o anuário mostra que houve avanços importantes nas últimas décadas. Mas é preciso manter o senso de urgência, pois a fotografia dos resultados educacionais ainda é crítica e dados como esse, sobre a desigualdade nas condições de financiamento das redes, mostram que discussões atualmente em curso, como a do Fundeb, são centrais”, enfatiza o diretor de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Olavo Nogueira Filho.

Docentes


Melhorar o salário pago aos professores no Brasil é outro desafio apontado pelo anuário. O rendimento médio dos docentes da educação básica, com curso superior, no ano passado, foi de R$ 3.823 (pouco mais de quatro salários mínimos). Correspondeu a 70% do que ganhavam, em média, outros trabalhadores com mesmo nível de escolaridade (R$ 5.477,05). O piso salarial do magistério é de R$ 2.557,74. “É preciso tornar a carreira docente atrativa”, observa Caio Sato.

Professora há 40 anos, Eliane Alves, 62 anos, é uma exceção. Recebe cerca de R$ 5 mil por mês para atuar na coordenação do Laboratório de Ciências e Tecnologia na Escola Municipal Pedro Augusto, localizada no bairro da Boa Vista, Centro do Recife. São 270 horas mensais. Atua das 7h30 às 17h30, de segunda a sexta-feira. “Agora é mais tranquilo porque estou só nessa escola. Mas nem sempre foi assim. Seis anos atrás cheguei a trabalhar os três expedientes e em três escolas. Professor deveria ser mais valorizado no País”, diz Eliane.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Carreata da Frente Popular lota as ruas de Santa Cruz do Capibaribe em apoio à campanha de Paulo Câmara