Ministro foi questionado sobre troca de mensagens com o
procurador da República Deltan Dallagnol revelada por site
(foto: Michel Dantas/AFP)
Em viagem a Manaus, onde foi se encontrar com secretários estaduais de Justiça de todo o país, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, negou, nesta segunda-feira (10/6), que tenha dado orientações aos procuradores que integram a operação Lava-Jato. "Não há orientação nenhuma", disse Moro, em referência a trocas de mensagens pelo celular divulgadas no domingo pelo site The Intercept Brasil.
Ao ser perguntado sobre o assunto, Moro também questionou a autenticidade das conversas, embora não tenha desmentido a veracidade das informações. "Não tem nenhuma orientação ali naquelas mensagens. E eu nem posso dizer que são autênticas porque, veja, são coisas que aconteceram, e se aconteceram, foram há anos. Eu não tenho mais essas mensagens. Eu não guardo, eu não tenho registro disso. Mas ali não tem orientação nenhuma", disse.
Para o ministro, as conversas entre juiz e procuradores são algo normal. "Veja, os juízes conversam com procuradores, conversam com advogados, conversam com policiais. E isso é algo normal. Se houve alguma coisa nesse sentido, são operações que já haviam sido autorizadas e isso é questão de logística de saber como fazer."
Moro, no entanto, ficou nitidamente incomodado com as perguntas, abandonando a coletiva de imprensa depois de os jornalistas tocarem no assunto. "Senhores eu vim aqui para falar do Amazonas e se não tem pergunta a esse respeito eu encerro", concluiu.
Autoridades e juristas reagem
A divulgação das conversas fez com que, na noite de domingo e ao longo desta segunda-feira, juristas e políticos se manifestassem, tanto para sair em defesa de Moro e da Lava-Jato quanto para criticar a postura do então juiz e dos promotores.
Para especialistas ouvidos pelo Correio ainda no domingo, os diálogos indicam um comportamento, no mínimo, antiético dos envolvidos. Para Conrado Gontijo, criminalista e doutor em direito penal pela Universidade de São Paulo (USP), se for confirmada a autenticidade das mensagens, será um dos maiores escândalos da história do país. “Se houve este tipo de comunhão entre o Poder Judiciário e o Ministério Público é uma violência ao estado democrático de direito”, afirmou.
Com informações da Agência Estado.
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