Produtos e serviços para as mulheres chegam a ser até 60% mais caros

ZILDA Costa, 41, administradora, escolhe alguns
produtos não pela cor, mas pelo preço, como é o
caso do desodorante (Foto: Tatiana Fortes)
O POVO

A cor rosa que se destaca entre os rótulos nas prateleiras tem preço maior. Ocorre que a distinção mercadológica de gênero, em alguns casos, eleva o valor do produto mesmo quando não há pressão no custo. O POVO pesquisou e observou oscilação de 2,25% a 60% para igual mercadoria ou serviço, mas de cor ou gênero diferente. O fenômeno se chama pink tax ou imposto rosa.

O questionamento que se levanta é por qual motivo artigos apenas de cores diferentes, mas, com mesma função, design e ergonomia encarecem. Dentre os campeões na lista do pink tax estão lâminas de barbear, preservativos e roupas como camisas e calças jeans.

Catherine Jereissate, vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE), conselheira do Procon e professora do Centro Universitário Christus, defende que não há justificativa. "O mercado usa uma fórmula para induzir o desejo sobre a razão e estimula a compra. Mas não há amparo jurídico para que os produtos femininos sejam mais caros", diz, acrescentando que não é a cor que dará a usabilidade.

Se a cliente observar que há mercadorias iguais e com valores distintos, ela tem direito de pagar pelo mais barato. Pondera que é preciso verificar as especificidades. "O artigo 39 do Código de Defesa do consumidor fala que não se pode alterar o preço sem apresentar uma causa específica".

Segundo estudo do departamento de Consumer Affairs (DCA), de 2016, cinco itens tendem a apresentar discrepância no preço. A média do acréscimo é de 13% para produtos de higiene pessoal, seguido de 8% para roupas infantis e para adultos, e 7% para brinquedos e acessórios.

A realidade não é muito diferente no Brasil. Ontem, em Fortaleza, O POVO encontrou quatro lâminas de barbear rosa por R$ 24,49, enquanto verde custava R$ 23,95. O corte de cabelo era mais da metade do valor para mulheres. Uma unidade de preservativo feminino chegava a ser 12,51% mais cara do que três do produto masculino.

A administradora Zilda Costa, 41, escolheu cosméticos com rótulos que aplicavam o conceito pink tax enquanto fazia as compras ontem, na Cidade dos Funcionários. A decisão, no entanto, foi motivada por promoção. "Eu gosto desse produto e compro sempre, inclusive os que têm outras cores, mas isso não é algo que me atraia. Preocupo-me com o preço".

Darla Lopes, diretora do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Ceará (IBEF), lembra a mulher ainda não tem as mesmas condições no mercado de trabalho. Nesse contexto, o imposto rosa tem impacto no orçamento feminino, somado ao fato de que muitas delas ainda ganham menos que os homens. Para Darla, é necessário que as consumidoras forcem a queda da demanda destes produtos e pesquisem as marcas que se posicionem contra a iniciativa.


BRUNA DAMASCENO

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