Marina critica e promete mudanças na reforma trabalhista a plateia de empresários

Pré-candidata disse em evento da CNI que pretende alterar determinados trechos da reforma; criticou condução do governo na Petrobrás, a que chamou de 'pró-mercado'

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - A pré-candidata da Rede à Presidência da República, Marina Silva, disse nesta quarta-feira, 4, que uma visão dogmática favorável ao mercado na Petrobrás gerou prejuízos à sociedade e à estatal. Um dos momentos que mais chamou a atenção da plateia de empresários a sua fala, foi quando a ex-ministra voltou a criticar a reforma trabalhista e reiterou que pretende alterar o que classifica como aspectos "draconianos" da nova regra.

"A reforma trabalhista carece de mudanças e de revisão para de fato significar modernização", disse a pré-candidata da Rede, ao participar do evento Diálogo da Indústria com Candidatos à Presidência da República, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

"Ainda é cedo. Não acho que deve ser revogada, mas revisitada para rever injustiças. Não tenho a visão de que tudo que foi feito deve ser revisado nem sacralizado."

Marina Silva, pré-candidata da Rede à Presidência - Foto: Adriano Machado/Reuters

A plateia pediu que ela detalhasse o que pretendia mudar, ao que ela citou: a autorização para mulheres grávidas, com aval médico, trabalharem em locais insalubres, alterações que dificultaram acesso à Justiça por pessoas de baixa renda e horários reduzidos na jornada de trabalho e almoço.

Marina ponderou que entendeu ser necessária uma alteração na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mas disse que a reforma tramitou de forma "atabalhoada" no Congresso e gerou "insegurança jurídica".

A pré-candidata citou como positiva as mudanças no número de processos trabalhistas, que após a reforma caíram, mas argumentou que não houve impulsionamento nas contratações: "A reforma tinha como sinalizador aumentar empregos, o que ainda não se efetivou".

Petrobrás. Ao comentar a greve dos caminhoneiros, que provocou uma queda na atividade industrial de 10,9% e foi deflagrada pela alta no preço dos combustíveis, a presidenciável apontou erro da antiga direção da empresa ao repassar a alta no dólar diariamente ao consumidor.

"A visão dogmática pró-mercado deu grandes prejuízos para a Petrobrás e para o cidadão", disse Marina.

Ela afirmou que a estatal tem capacidade de manejar situações como a alta do dólar, mas sem adotar a política de controle de preços. Marina defendeu que a companhia permaneça atenta ao cenário global dos combustíveis, mas possui função estratégia nacional. Pra a presidenciável, o governo não foi capaz de se antecipar à crise gerada na greve de caminhoneiros e a gestão do presidente Michel Temer foi negligente. 

A ex-ministra não citou diretamente o Banco Central, mas pregou que as instituições financeiras sejam tratadas com autonomia, sem institucionalização e uso político. À plateia de empresários, Marina se comprometeu ainda a travalhar por juros mais baixos para estimular os investimentos e chamou de "anomalia" a especulação no mercado financeiro. Ela prometeu ainda uma uma reforma tributária com "simplificação, justiça tributária, impessoalidade e transparência".

Marina afirmou ainda que, atualmente, as agências reguladoras de diversos setores são partidarizadas pelo governo federal. Ela defendeu aprovação de marcos regulatórios que permitam adequar a relação entre sociedade e empreendedores. Como exemplo, disse que a Agência Nacional de Saúde (ANS) "tem dificuldade de prover saúde de qualidade para quem busca planos".

Reforma. Sobre a reforma política, uma das principais bandeiras de sua campanha, ela voltou a prometer que vai encaminhar uma proposta de reforma política ao Congresso. A ex-ministra pregou que seja implantado, a partir de 2022, um único mandato de cinco anos para cargos executivos. “Vamos acabar com reeleição que virou problema na América Latina”, disse a presidenciável. Marina afirmou ainda que o presidencialismo de coalização no País se transformou em “presidencialismo de degradação” e se comprometeu a indicar ministros com compromisso programático. 

A pré-candidata afirmou que mantém esperança de atrair um nome de outro partido para sua chapa e que as conversas com siglas tratam da disputa presidencial e também nos Estados. Marina também afirmou que a reforma é uma maneira de mudar a relação “promíscua” de setores da iniciativa privada com o Estado, revelada pelas investigações da Operação Lava Jato.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Gabarito preliminar das provas do Concurso Público da Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe

Carreata da Frente Popular lota as ruas de Santa Cruz do Capibaribe em apoio à campanha de Paulo Câmara