Primeira vez na escola: como tornar a adaptação das crianças mais leve
Pouco antes do retorno das aulas, profissionais dão dicas aos pais para se prepararem
Cada início é um marco significativo na vida e no desenvolvimento de uma criança, principalmente ao encarar o primeiro dia na escola. A jornada escolar representa o primeiro contato fora do vínculo familiar, onde a criança aprenderá a conviver com outras da mesma idade e a seguir regras de comportamento e ambiente. Por isso, os primeiros dias provocam uma grande mistura de sensações e os pais também vivenciam uma série de questionamentos e sentimentos.
A adaptação define o período inicial de uma criança em um contexto diferente do qual ela já estava acostumada, seja a primeira vez no ambiente escolar ou até uma mudança de escola, de turma ou professor. Nesse momento, a criança pode sentir-se mais vulnerável, ansiosa e angustiada. A Coordenadora de Educação Infantil, Marta Rocha, e a psicóloga Beatriz Costa, do Colégio Salesiano Recife, dão dicas aos pais para que possam tratar esse processo com a maior tranquilidade possível, desenvolvendo também um bom relacionamento entre família e escola.
Rotina prévia
Para tornar a adaptação mais leve, Marta Rocha recomenda criar uma rotina prévia que ajuda na preparação dos pequenos, destacando os aspectos positivos e empolgantes da escola e oferecendo apoio e compreensão. “Esses hábitos, iniciados antes do início das aulas, podem incluir, por exemplo, visita à escola juntos, conhecer a sala, o pátio e conversar com a professora e deixar que o filho participe da escolha de materiais e da organização”, afirma. Além disso, brincadeiras que remetem ao ambiente escolar e ajustar os horários de sono são ótimas estratégias para adaptação antes da chegada das aulas.
Família e escola
Para a coordenadora de Educação Infantil do Colégio Salesiano Recife, estabelecer diálogo com a família é imprescindível, para formar um espaço seguro e confiável. “A primeira coisa é chamar a criança pelo seu nome, pois isso demonstra que a conhecemos. No Salesiano, buscamos proporcionar atividades lúdicas em grupo com música e brincadeiras no dia a dia em sala de aula, uma vez que ajudam na socialização, tornando o ambiente mais acolhedor e estimulando a expressão verbal, corporal e sua autonomia”, ressalta.
Além disso, essa interação com a família ajuda a entender como funciona o ambiente familiar, permitindo que o professor compreenda os comportamentos dos alunos e se sinta seguro para realizar ações que possam favorecer, valorizar e respeitar a individualidade de cada um.
Paciência e compreensão
O período de adaptação pode variar de acordo com o aluno e suas singularidades e, por isso, é um processo que demanda tempo, paciência e compreensão da escola e dos familiares. De acordo com a psicóloga do Colégio Salesiano Recife, Beatriz Costa, observar o comportamento durante a adaptação é de extrema importância, pois ajuda na identificação das reações emocionais, dos interesses e prioridades, possibilitando a montagem de estratégias para aprimorar o acolhimento. “Por meio do choro, a criança expressa emoções e torna possível entender que algo a incomoda. Nesses casos, é comum que ela apresente esse tipo de comportamento em resposta à rotina escolar, o que é perfeitamente normal”, afirma.
No entanto, é fundamental que a equipe pedagógica e os pais se atentem a sinais mais intensos. “É necessário termos atenção quando a criança mostra-se em negação, assumindo por vezes comportamentos de agressividade, não interação com o meio, expressão facial assustada e busca por esconderijo”, ressalta a psicóloga, já que atitudes semelhantes podem significar respostas à situações mais graves.
A psicóloga também ressalta que muitas sensações expressadas no ambiente familiar podem ser transferidas para a criança e, por isso, os adultos devem se preparar para enfrentar essa adaptação, controlando as preocupações e fazendo o possível para não apresentar receios, mas sim, segurança para os pequenos. “Quanto mais tranquilos e seguros os pais estiverem, melhor será o processo como um todo. É importante que estejam perto de suas crianças nesse momento inicial, abrindo canal de escuta e possam dividir com a escola seus medos, anseios e dúvidas, para que assim possa ser formada uma consistente rede de apoio”, declara.


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