Em 2 semanas, Saúde muda 3 vezes a data de início da vacinação nacional


Do UOL

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse hoje que a vacinação emergencial contra a covid-19 pode começar no país ainda em dezembro. No entanto, o general elencou uma série de condições para que isso aconteça e todas elas, neste momento, bastante improváveis, o que torna remota a possibilidade de imunização ainda em 2020.

Essa é a terceira mudança de data, em duas semanas, para início da vacinação nacional. Em entrevista à CNN Brasil, Pazuello afirmou que o plano nacional de imunização pode começar entre o fim de janeiro e o início de fevereiro. Ontem, o ministro falou que essa data estava prevista para o final de fevereiro, com doses do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford e pelo laboratório AstraZeneca. Na semana passada, a expectativa era que o plano começasse em março.

Para dar a previsão de vacinação emergencial ainda em dezembro, Pazuello considerou a possibilidade de a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) conceder uma autorização de urgência para o uso do imunizante. Ele falou especificamente sobre a vacina desenvolvida pela Pfizer com a Biontech, a mesma que começou a ser aplicada ontem no Reino Unido e também aprovada hoje pelo Canadá.

É improvável que isso aconteça porque, até agora, nenhuma vacina fez pedido de uso emergencial para a Anvisa; o Brasil está em tratativas, mas ainda não concluiu as negociações com a Pfizer; e apesar da negociação, a Pfizer vê como improvável a chance de disponibilizar doses ao Brasil antes de janeiro.

Enquanto isso, o Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) entrou hoje com ação no STF (Supremo Tribunal Federal) apontando omissão do governo Jair Bolsonaro em razão da demora em fornecer um plano definitivo nacional de imunização e garantir o efetivo acesso da população à vacina contra a covid-19.

A OAB fez diferentes pedidos à Corte, entre eles o de permissão para aquisição e fornecimento de vacinas que já possuam registro em "renomadas agências de regulação no exterior, independente de registro na Anvisa" e também de utilização de verbas recuperadas pela Lava Jato e outras operações para compra de imunizantes.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), criticou a "distorção de prioridades" do governo Bolsonaro, logo após o Ministério da Economia anunciar que zerou a alíquota do imposto para importação de revólveres e pistolas para 2021.
"Nos deixa perplexos a falta de prioridade e sensibilidade do governo. As pessoas estão perdendo as vidas, o número de infectados aumentando, hospitais sem leitos de UTI e nós vemos isenção para importação de arma".
Rodrigo Maia

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