É possível separar a gestão pública da política?

Por Gustavo Maia


Não, não é possível separar a gestão da política.

A política sem a gestão e todos os seus benefícios como dados, profissionalização e experiência não é capaz de administrar sozinha uma cidade, estado ou país.

Os gestores, técnicos, burocratas ou servidores públicos, como são mais comumente chamados, são essenciais para operacionalizar as políticas públicas e dar continuidade ao atendimento ao cidadão e à evolução das cidades, mesmo com a alternância de poder.

Da mesma forma, a gestão também não pode sobreviver sem a política, pois a última é dotada de estratégia e poder de planejamento, além de ser responsável por articular com o legislativo, setor empresarial e sociedade civil a implantação de projetos e políticas públicas.

Além disso, como os mandatos duram apenas quatro anos - podendo ser estendidos por mais quatro, caso a população assim decida -, os novos candidatos eleitos trazem novas ideias e prioridades para dentro da máquina pública, atualizando o governo de acordo com as tendências e necessidades da população.

Mas e quando questões políticas interferem no bom funcionamento da gestão? O que o gestor público pode fazer quando atores políticos tentam descontinuar um projeto ou política pública eficaz, que tanto ajudou a administração pública e a população no mandato anterior?

O primeiro passo é estar munido de dados e resultados. Após isso, é importante marcar uma reunião com a equipe política que está à frente e mostrar todos os benefícios que a continuidade do projeto traria para a cidade e para o próprio mandato, além de mostrar o antes e o depois da implementação daquela política pública.

Dizem por aí que “contra fatos não há argumentos”, eu gosto de dizer que “contra dados não há argumentos”, isso porque quando trabalhados e transformados em informação, eles demonstram a real situação de qualquer projeto.

Além disso, os gestores também contam com outros aliados, que estão prontos para defender as políticas públicas que tanto os beneficiam: os cidadãos. Como disse sabiamente o prefeito de Mesquita (RJ), Jorge Miranda, quando a população utiliza uma política pública e vê que funciona, ela se apropria e não permite que o projeto seja descontinuado.

Porém, a situação também pode acontecer com o novo governante e os gestores podem demonstrar certa resistência em adotar novos projetos. Neste caso, cabe ao chefe do executivo e sua equipe apresentarem aos burocratas os motivos pelos quais estão adotando este tipo de ação e os benefícios que o projeto pode trazer ao governo, assim como mostrar resultados desse tipo de ação em outros lugares.

A população também pode ser uma aliada do candidato eleito, já que a opinião pública tem bastante peso nas ações da administração pública, afinal de contas vivemos em um país democrático e a vontade e o bem-estar do povo devem sempre ser uma prioridade dos governos.

Em ambas as situações, três coisas são fundamentais para que a política e a gestão resolvam a questão da melhor forma possível: diálogo, compreensão e decisões baseadas em dados.

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