Aumento de gastos com publicidade no governo Bolsonaro pode ser investigado

Ministério Público pode abrir investigação do aumento de 63% nos gastos com publicidade na gestão Bolsonaro. Um caminhão de dinheiro foi depositado nas contas do SBT e da TV Record, as principais beneficiadas

Jair Bolsonaro em gravação da entrevista (Imagem: Marcos Corrêa | PR)


O subprocurador-geral do Ministério Público de Contas, Lucas Rocha Furtado, assinou uma representação para que o Tribunal de Contas da União (TCU) apure “o possível direcionamento de verbas publicitárias”, pelo governo Bolsonaro.

Furtado se baseia na reportagem do UOL divulgada nesta segunda-feira (15) mostrando que no primeiro trimestre de 2019 a Secretaria Especial de Comunicação (Secom), vinculada ao Palácio do Planalto, aumentou em 63% os gastos com publicidade em comparação ao mesmo período de 2018 e, ainda, que a rede Globo, líder de audiência, passou a receber menos que as concorrentes Record e SBT.

“O princípio da impessoalidade requer, sob o enfoque da isonomia, que a administração pública confira tratamento isonômico, sem preferências ou discriminações”, escreveu Rocha, segundo informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

A Secom argumenta que quitou compromissos assumidos na gestão passada. Do total de R$ 75,5 milhões aplicados de janeiro a março deste ano, R$ 12 milhões foram autorizados por Jair Bolsonaro.

A comparação entre os três primeiros meses de 2018 com os três primeiros meses de 2019 mostram que o faturamento publicitário da Record com o governo aumentou 659%, do SBT 511% e da Globo 19%. No ano passado, a Globo faturou R$ 5,93 milhões, Record R$ 1,308 milhão e SBT R$ 1,1 milhão. Neste ano os canais faturaram, respectivamente, R$ 7,07 milhões (Globo), R$ 10,3 milhões (Record) e R$ 7,3 milhões (SBT).

A Rede Record pertence à Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bispo Edir Macedo. Ele declarou apoio ao então candidato Bolsonaro, em setembro do ano passado. Naquele mês, o dono do SBT, Silvio Santos negou apoio a Bolsonaro mas, em dezembro, após o resultado das eleições, os dois se encontraram em um almoço. Desde então, o presidente concedeu duas entrevistas exclusivas para o canal.
A rede Globo é apontada como inimiga pela família Bolsonaro. Em fevereiro, a divulgação de áudios de conversas entre o ex-ministro Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno e o presidente, revelaram que a queda de Bebianno teria relação também com o agendamento de uma reunião particular entre o ex-ministro e o vice-presidente de Relações Institucionais da Globo, Paulo Tonet.

“Gustavo, o que eu acho desse cara da Globo dentro do Palácio do Planalto: eu não quero ele aí dentro. Qual a mensagem que vai dar para as outras emissoras? Que nós estamos se aproximando da Globo. Então não dá para ter esse tipo de relacionamento”, disse Bolsonaro. “Inimigo passivo sim, mas trazer o inimigo pra dentro de casa é outra história”, acrescentou.

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