POR QUE RODRIGO MAIA ATROPELOU O GOVERNO

Bruno Góes
Época

O presidente da Câmara decidiu votar orçamento impositivo muito antes de terça; ele aproveitou a frágil articulação do Executivo para mostrar sua força no Congresso

Decisão de Rodrigo Maia — colocar em votação projeto que tira poder 
do Executivo sobre o orçamento — pegou de surpresa apenas o Planalto 
Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo

No domingo 24, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), recebeu líderes de partidos para conversar. Diante da crise entre governo e Congresso, os deputados estavam indignados com o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO). Horas antes, ao sair de encontro com o presidente Jair Bolsonaro, Vitor Hugo enviou mensagens a deputados do PSL que associavam Maia a "práticas do passado", como a troca de votos por cargos. 

As mensagens vazaram e vieram a público, irritando o presidente da Câmara. No mesmo dia, na conversa com líderes, ficou decidido que a Câmara votaria a proposta que tira poder do governo sobre o orçamento. 

A surpresa com o projeto foi apenas do Planalto. Toda terça-feira, líderes de partidos se reúnem para discutir e definir a pauta da semana na Câmara. Ontem, na sala de reunião, Maia e os demais representantes das siglas ouviram a sugestão do líder do PRB, Jhonatan de Jesus, de colocar em votação a proposta. 

O líder do governo estava ausente. Na mesma tarde, ainda sem familiaridade com o assunto, Vitor Hugo disse não saber qual era a posição do Planalto sobre a proposta. O líder do PSL, Delegado Waldir (PSL-GO), decidiu concordar com a aprovação do projeto. Mas foi claro sobre a falta de articulação. "Ninguém do Ministério da Economia veio falar comigo", disse. 

O presidente da Câmara começou a semana emitindo sinais de que estava disposto a pacificar o ambiente. À imprensa, após aprovação, do projeto disse que não se tratava de uma "derrota" do governo. Maia não quer um embate público. 

Segundo um líder importante de partido, os deputados estão "ensinando" Bolsonaro como "funciona a democracia".

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