Amigos e familiares se despedem do ex-deputado Sigmaringa Seixas

O advogado e ex-parlamentar pelo PT não resistiu a complicações de um transplante de medula. O velório começou às 8h de hoje, no Cemitério Campo da Esperança, e o sepultamento, será as 16h30

Por SK Simone Kafruni, CC Caroline Cintra

Ministro do STF Dias Toffoli se despede de Sigmaringa Seixas(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

O corpo do advogado e ex-deputado federal Luiz Carlos Sigmaringa Seixas, que morreu no dia de Natal, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, em decorrência de um câncer, está sendo velado, nesta quarta-feira (26/12), desde às 8h, na capela 7 do Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul, em Brasília. O sepultamento está marcado para as 16h30.

Além de familiares, autoridades prestam suas últimas homenagens ao homem público conhecido por seu caráter conciliador. Um dos primeiros a chegar ao velório, ainda às 8h30 desta quarta-feira, o político e magistrado Walmir Campelo, ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), lamentou a perda do colega constituinte. “Nós representamos a primeira bancada de Brasília no Congresso. Ficamos muito tristes, vários já se foram. Éramos 11 agora restam cinco”, comentou.

Campelo disse que, apesar de adversário político de Sig, como era chamado Sigmaringa Seixas pelos amigos, sempre nutriu uma forte amizade pelo colega. “Lutamos pela representação política e pelo bem estar da comunidade. Apesar de termos sido adversários, de partidos diferentes, sempre fomos amigos. Jogávamos futebol juntos, de forma que a gente sempre teve uma amizade independentemente da sigla partidária”, afirmou.

Para Campelo, convidado pelo governo de Jair Bolsonaro, para assumir a estatal Valec, o caráter conciliador de Sigmaringa sempre será lembrado. “Política se faz com grandeza e não com agressões. Sigmaringa pregava isso, realmente transmitia tranquilidade, humildade e simplicidade. Foi um homem público capaz, correto, transparente e honesto. Ela vai, mas a saudade fica”, destacou.

Às 8h50, o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), chegou ao cemitério para prestar homenagem. Para Toffoli, Sigmaringa Seixas teve “um papel extremamente relevante na redemocratização do Brasil, em especial para Brasília”. “É um sentimento de perda tanto para o país, quanto para Brasília, em especial, e também para mim, em particular, porque era um amigo”, afirmou.

Segundo Dias Toffoli, Sigmaringa Seixas teve um papel extremamente importante no processo constituinte porque foi dele a relatoria que garantiu a autonomia política do Distrito Federal. “Foi deputado constituinte e, depois da Constituição de 1988, sempre defendeu os melhores princípios, a luta pela liberdade e os melhores ideais”, afirmou.

“Sigmaringa foi sempre um conciliador e um construtor de pontes. Ele foi uma pessoa que quis criar a possibilidade de um Brasil melhor. É uma perda muito triste, muito sentida”, ressaltou o presidente do STF. “Meus sentimentos à família e aos amigos”, acrescentou.

Dias Toffoli teve uma relação pessoal com Sigmaringa. “Jogávamos futebol juntos, tínhamos um grupo de amigos. Ele jogava muito bem. É uma perda não só na política, mas na amizade também”, completou.

Luta contra o câncer

Luiz Carlos Sigmaringa Seixas morreu ontem, aos 74 anos, após longa luta contra a leucemia. O ex-deputado federal pelo PT estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Há um mês, foi submetido a um transplante de medula, mas não resistiu a complicações do procedimento. 

Nascido em Niterói (RJ), Sigmaringa se formou em direito pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Na carreira política, foi deputado federal do DF também pelo então PMDB e pelo PSDB. Ele contribuiu na elaboração da Constituição.

Políticos e amigos lamentaram a morte e destacaram as qualidades de Sigmaringa. O ex-deputado tinha relações pessoais com representantes de diferentes correntes políticas, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador José Serra (PSDB). No governo do petista, foi cotado para assumir o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), mas preferiu permanecer na advocacia.

O presidente da República, Michel Temer, deu os pêsames à família do ex-parlamentar. “Lamento imensamente a morte do grande advogado e homem público Sigmaringa Seixas, um lutador pela democracia brasileira. Meus sentimentos de pesar à família e aos amigos”, afirmou nas redes sociais.

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, também mostrou pesar. Em nota, afirmou que a capital federal “chora e lamenta a morte de um dos maiores nomes de sua história”. “Sigmaringa, o querido Sig, construiu uma trajetória política ímpar na cidade, da banca de advocacia de sua família para a Câmara dos Deputados”.

Rollemberg se referiu a Sigmaringa como um defensor dos direitos humanos e destacou que o ex-deputado “se notabilizou na luta pela redemocratização do país e pelo direito do brasiliense de votar e eleger seus representantes para o governo e os parlamentares local e federal”.

Governador eleito do DF, Ibaneis Rocha frisou que a história de Sigmaringa se confunde com a de Brasília. “Em um momento decisivo para o DF e para o Brasil, ajudou a escrever a Constituição do país e desempenhou papel importante para a ampliação das liberdades civis e dos direitos e garantias fundamentais do cidadão”, disse.

Um “homem de bem” foi como o definiu o presidente do STF, ministro Dias Toffoli. “Sigmaringa Seixas tinha compromisso com a Justiça e o bem-estar social. Deixou sua marca como homem público, deputado constituinte e advogado primoroso, sempre pronto a lutar pelos direitos humanos, pela democracia e pela liberdade em nosso país, trabalhando com humildade pelo bem comum, sem buscar os holofotes”, ressaltou. “Entre as características de sua personalidade, estavam a discrição e a vocação para o outro. Um homem de bem! Uma grande perda para o direito, a advocacia e o Brasil.”

Maria Lúcia Sigmaringa disse que o ex-deputado era um segundo pai para ela e para os outros irmãos. “Com ele e meu pai, aprendi o que era solidariedade, amor ao próximo, a importância dos direitos humanos e tantas outras virtudes difíceis de se encontrar hoje em dia”, afirmou. “Como político, foi um conciliador, admirado mesmo por seus adversários.”

Combate à ditadura

O deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF) disse que, em 1982, foi libertado do Complexo Penitenciário da Papuda duas vezes por Sigmaringa, em função de greves que eram realizadas na época. “Ele lutou contra a ditadura opressora. Sempre que soube que alguém havia sido preso injustamente, esteve em cárceres, soltando. Homem determinado e tímido, mas muito corajoso em enfrentar as perseguições impostas aos trabalhadores e aos estudantes da Universidade de Brasília”, lembrou.

Presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PR) usou o Twitter para prestar homenagem ao advogado. “Com tristeza imensa acabei de saber da morte de nosso grande querido e companheiro Sigmaringa Seixas. Lutador incansável pela justiça e pela democracia em nosso país. Vai fazer muita, muita falta, Sig! ”, publicou.

"Lamento imensamente a morte do grande advogado e homem público Sigmaringa Seixas, um lutador pela democracia brasileira” 
Michel Temer, presidente

"Sigmaringa, o querido Sig, construiu uma trajetória política ímpar na cidade, da banca de advocacia de sua família para a Câmara dos Deputados” 
Rodrigo Rollemberg, governador do DF

"Em um momento decisivo para o Distrito Federal e para o Brasil, ajudou a escrever a Constituição do país e desempenhou papel importante para a ampliação das liberdades civis e dos direitos e garantias fundamentais do cidadão” 
Ibaneis Rocha, governador eleito do DF

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