"Sergio Moro parecia um jovem recebendo o diploma", revela Bolsonaro

Bolsonaro conta detalhes da reunião de 40 minutos que teve com Sergio Moro a portas fechadas: "Parecia um jovem universitário recebendo o diploma"

Sergio Moro, com Paulo Guedes ao fundo. Os 2 superministros de Jair Bolsonaro 
(Imagem: EFE/Antonio Lacerda)

PRAGMATISMO POLÍTICO

Sergio Moro voou de Curitiba (PR) para o Rio de Janeiro (RJ) nesta quinta-feira (1) para visitar Jair Bolsonaro pessoalmente e aceitar o convite para ocupar o cargo de ministro da Justiça no futuro governo de extrema-direita.

Segundo Bolsonaro, a reunião entre ambos ocorreu a portas fechadas, sem a presença de ninguém. Nem mesmo dos seus filhos.

“Vi o Sergio Moro como se fosse um jovem universitário recebendo seu diploma. Ele está com muita vontade de levar adiante a sua agenda. Uma das coisas que mais aflige a população brasileira é a corrupção e ele a atacará de forma global no Brasil, não apenas na Lava Jato”, relatou Bolsonaro em entrevista à TV Record.

A Record tem conseguido prioridade nas entrevistas com o presidente eleito. Ela foi a primeira a falar com Bolsonaro de forma exclusiva após o resultado das eleições. Nesta quinta-feira, a emissora voltou a ter prioridade depois da reunião com Moro.

Durante a campanha para a Presidência, o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da emissora, declarou apoio à candidatura de Bolsonaro.

Batizado de “superministério”, a pasta que ficará sob o comando de Moro vai somar as estruturas da Justiça, Segurança Pública (inclusive a Polícia Federal), Transparência e Controladoria-Geral da União, além do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), este último hoje ligado ao ministério da Fazenda.

“Ele terá ampla liberdade para escolher todos os que comporão o seu segundo escalão. Ele é o chefe da Polícia Federal, que vai cuidar da questão da segurança, obviamente não é uma especialidade dele a Segurança Pública, mas bem assessorado e com a inteligência que lhe é peculiar, ele tomará as decisões adequadas nessa área”, disse Bolsonaro.

Segundo o presidente eleito, Moro já deve participar do processo de transição de governo.

“Ele não vai se afastar agora, vai entrar de férias –tem férias vencidas– e já participará da transição, sim. Começará a partir da semana que vem, tomar pé da situação como um todo e ir atrás de nomes”, disse.

Parcialidade

Juízes, ministros do STF e ex-ministros da Justiça enxergam com desconfiança a migração de Sergio Moro da Justiça para a política.

“Apenas confirma tudo o que a gente disse até hoje, de que verdade ele não era juiz. Ele estava atrás de uma vantagem pessoal para sua carreira, cultivando a sua vaidade e, na verdade, chegou onde ele conseguiu chegar. Do ponto de vista ético, é algo lamentável. Do ponto de vista da história do senhor Moro, na verdade, isso prova apenas que o crime compensa”, afirmou o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão.

Aragão relembra os abusos “criminosos” cometidos por Moro à frente da Lava Jato. “Abriu sigilos que foram quebrados de forma ilegal, fora do período autorizado, deu publicidade a conversas particulares entre Dona Marisa e seu filho. Depois, aquele episódio em que ele protagonizou uma disputa com o desembargador Favretto, saindo de suas férias, despachando sem qualquer competência e determinando a Polícia Federal a não cumprir uma decisão de um desembargador.”

A professora de direito constitucional da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) Cláudia Maria Barbosa concorda que a nomeação de Moro para o ministério da Justiça escancara a politização, mas também aponta eventuais vulnerabilidades.

“A ocupação, pelo juiz, do Ministério da Justiça, escancara a politização indevida do Judiciário, e isso já é um sinal para que a população e a própria imprensa esteja atenta. Por outro lado, o Ministério da Justiça não é o Judiciário. Então, as garantias de imunidade que, enquanto juiz, o Sérgio Moro teve quando cometeu excessos e abusos, ele não teria dentro do Ministério da Justiça, afinal é um cargo de livre nomeação, mas também de livre destituição”, destaca a professora.


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