Jair Bolsonaro suspeita de Sergio Moro em investigação sobre filho Flávio


Para Jair Bolsonaro, ou Sergio Moro "perdeu o controle" da Polícia Federal ou está fazendo "corpo mole". Investigação aponta que filho do presidente lavou pelo menos R$ 2,3 milhões com imóveis e loja de chocolate

Moro e Bolsonaro (Foto: Sérgio Lima/PODER 360)

As investigações contra o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) voltaram a despertar paranoia no presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que agora desconfia do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Bolsonaro disse a assessores mais próximos que Sergio Moro “anda muito esquisito”. Para o presidente, ou o ex-juiz perdeu o controle da Polícia Federal, ou está “fazendo corpo mole”. As informações são do jornalista Tales Faria, que circula nos bastidores de Brasília (DF).

Segundo Tales, Jair Bolsonaro está absolutamente irritado com as operações de busca e apreensão realizadas pelo MP-RJ nesta quarta-feira, 18, em endereços ligados à sua ex-mulher Ana Cristina Siquera Valle, o filho Flávio, o amigo e assessor Fabrício Queiroz e outros parentes e assessores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Como é inevitável nesses casos, a Polícia Federal costuma ter informações sobre esse tipo de operação. E o presidente não tem visto em Moro uma “atitude mais firme” sobre os policiais e delegados a ele subordinados.

Em outras palavras, Bolsonaro gostaria que a Polícia Federal, chefiada por Moro, atuasse de “maneira mais pró-ativa” para neutralizar a o Ministério Público do Rio.

Bolsonaro já havia forçado o ministro a afastar o superintendente da Polícia Federal no estado, na expectativa de manter a corporação local sob maior controle. Mas isso, na opinião do presidente, não parece estar dando certo.

A princípio, o presidente atribui a “uma armação” do governador Wilson Witzel (PSC) o cerco do MP-RJ a Flávio, e agora acredita também que Sergio Moro esteja em conluio com o governador, ou pelo menos omisso diante do que parece ser o início da ruína da família Bolsonaro.

Eleições 2022

As desconfianças sobre Moro e Witzel têm em comum um mesmo pano de fundo: as eleições presidenciais de 2022. Witzel já se declarou interessado em concorrer. E, desde então, passou a ser tratado como um adversário pelo presidente.

Moro, embora não tenha afirmado explicitamente o desejo de participar da disputa eleitoral, tem-se movimentado como pré-candidato. Com um agravante no caso do ministro: sua popularidade está maior do que a do presidente da República, segundo as pesquisas eleitorais.

No Planalto dá-se como certa uma futura filiação de Moro ao Podemos, partido do senador Álvaro Dias (PR), com quem o ex-juiz tem grande afinidade.

Mas agora, segundo auxiliares de Bolsonaro, não é hora de passar recibo. É preciso engolir em seco e cozinhar em banho-maria as desconfianças em relação ao subordinado.

Primeiro, porque o presidente não tem certeza da participação de Moro no que chama de “armação”, como tem em relação ao governador do Rio de Janeiro.

Depois, porque o rompimento neste momento poderia causar uma crise política. Desta vez com boa parte do eleitorado bolsonarista se posicionando ao lado de Moro.

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