Especialistas dão dicas de como usar o cartão de crédito sem se endividar

Apesar dos altos juros cobrados no Brasil, maioria dos consumidores usa dinheiro de plástico todos os meses. Muitos acabam endividados e precisam recorrer a profissionais para colocar a vida financeira em ordem

Correio Braziliense

(foto: Edílson Rodrigues/CB/D.A Press)

Mesmo com a taxa de juros estratosférica cobrada nas operações com cartão de crédito rotativo no Brasil, de 263,1% taxa média ao ano, o uso dessa modalidade financeira não para de crescer. Em 2018, 95% da população com acesso a crédito usou o cartão todos os meses, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs). Segundo o Banco Central, a taxa de juros para cartão de crédito subiu 11,2 pontos percentuais em janeiro, terceiro aumento consecutivo.

Muita gente exagera no uso do cartão e acaba endividada. Para o educador financeiro Reinaldo Domingos, do canal do youtube Dinheiro à Vista, falta educação financeira aos brasileiros, que usam mal o cartão de crédito, ou seja, exageradamente. Para ele, com educação financeira é possível usar o cartão de maneira estratégica e fazer dele um aliado. Segundo Gustavo Sampaio, diretor da Febracis Coaching, as pessoas se enganam com relação à sua disponibilidade financeira ao encarar o cartão de crédito como uma extensão do salário. Na avaliação de Domingos, esse é um problema que inicia na infância. “Quando uma criança começa a ganhar os primeiros trocados dos pais e não aprende a administrá-los, ela gasta tudo e pede mais para os tutores. Na vida adulta, quando não tem a quem pedir quando falta o dinheiro, usa o cartão de crédito”, avalia. 

Na opinião do especialista, a facilidade em obter crédito também pode ser o fator que leva muitos à inadimplência. Para Domingos, muitos bancos concedem crédito em valores que ultrapassam a capacidade financeira dos tomadores, o que é um fator de risco ao endividamento, pois a sociedade não foi educada para administrar a vida financeira e controlar as dívidas. “Os pais ensinam as pessoas a consumir, estamos calcados nos ensinamentos dos Estados Unidos. Não julgo isso um problema, pois a economia precisa estar ativa, mas deve haver moderação”, analisa Domingos.

Superação

Claudia Reis, 50 anos, servidora pública, é um exemplo de experiência de descontrole financeiro e de superação. Ela conta que usava o cartão de crédito para todas as compras que fazia e acabou dependente de um empréstimo consignado porque perdeu o controle da vida financeira. “Eu não tinha intimidade com dinheiro e minha dívida virou uma bola de neve”. Embora tenha um salário fixo, os débitos de Cláudia eram crescentes, o que também prejudicou sua situação emocional. “Eu já fiquei sem dormir, pensando na situação em que estava.”

Há quatro meses, a situação da servidora pública começou a mudar. Sem dinheiro, Cláudia decidiu não usar mais o cartão crédito e virar a mesa, o que incluiu pagar todas as dívidas e se consultar com um coaching financeiro. De acordo com ela, a vida mudou. “Agora, tenho dinheiro na conta, estou investindo e pagando com cartão de débito. Uso cartão de crédito só para as compras grandes que eu parcelo”. O segredo da mudança na vida dela foi o planejamento. Ela passou a usar estratégias e parou de agir por impulso. “A Cláudia de hoje conquistou liberdade, estou vivendo uma nova vida. Sugiro pedir ajuda sempre que necessário e não ter vergonha da situação”, aconselha.

Domingos acredita que o problema não são as dívidas, mas gastar além capacidade de pagamento. Para ele, credores são agentes de grande responsabilidade e devem ajudar no movimento da economia, não se transformando em uma porta para o endividamento. As instituições financeiras devem educar os usuários. 

Para o diretor da Febracis Coaching, falta planejamento. De acordo com ele, há técnicas para melhorar a relação com o cartão de crédito. Uma delas é abrir uma poupança chamada “cartão de crédito” e depositar todos os gastos do cartão na poupança, assim, no final do mês, o dinheiro da fatura estará salvo. Outro vilão no uso do cartão são as pequenas parcelas na fatura, pois muitas pessoas perdem o controle das dívidas anteriores e acabam excedendo o seu limite.

* Estagiária sob supervisão de Cláudia Dianni

Tome cuidado

Dicas dos especialistas para evitar dívidas

1 Faça um planejamento para o uso do orçamento doméstico;
2 Analise o andamento do controle financeiro semanalmente;
3 Estude sobre finanças, buscando literatura especializada;
4 Aprenda a guardar dinheiro;
5 Reduza os gastos; 
6 Potencialize os ganhos com investimentos;
7 Use o cartão de crédito apenas para parcelar compras maiores;
8 Abra uma poupança e deposite os valores gastos com as compras, para garantir o pagamento da fatura no vencimento

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