Especialistas dão dicas para evitar fraudes na Black Friday

Pesquisar os preços praticados no mercado dias antes é uma tática para não cair na armadilha da "metade do dobro" em uma das datas mais esperadas por consumidores

Correio Braziliense

(foto: Maurenilson/CB/D.A Press)

Lojistas e consumidores se movimentam em torno da Black Friday, o maior saldão de produtos e serviços do mundo. Na sexta-feira, o Brasil e outros países, como Austrália, Canadá e Paraguai, aderem ao famoso evento, criado nos Estados Unidos, na década de 1960. Por aqui, a data é razoavelmente nova, sendo esta, a nona edição, com estimativa de movimentar mais de R$ 2,4 bilhões só no comércio eletrônico, segundo dados da pesquisa da Ebit/Nielsen. São esperados cerca de 4 milhões de pedidos online, com gasto médio de R$ 607.

Apesar das vantagens comerciais, consumidores brasileiros depararam-se com muitos fornecedores que aproveitaram a data para ludibriar clientes. Por causa dos maus comerciantes, a expressão “Black Fraude” ficou famosa.

No ano passado, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) registrou 1,4 mil reclamações de consumidores insatisfeitos, por meio da plataforma www.consumidor.gov.br, sendo que, 31% delas diziam respeito a ofertas não cumpridas. Mesmo com o alto número de reclamações, a pesquisa Ebit/Nielsen mostra que, em 2018, as pessoas estão menos receosas com as possíveis fraudes. O número de consumidores que não pretendem comprar no período diminuiu de 38%, em 2017, para os atuais 35%.

Diretor substituto do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor da Senacon, Gilmar Araújo alerta sobre a publicidade enganosa, coibida no Código de Defesa do Consumidor (CDC). “Para evitar cair nesta armadilha, o consumidor deve ficar atento para as ofertas realizadas antes da Black Friday. Assim, ele pode monitorar este aumento e comprovar a prática abusiva”, aconselha.

Pesquisa

O diretor esclarece que os consumidores precisam ficar atentos a outros pontos antes de fechar um acordo ou comprar um item. “Eles precisam atentar às ofertas que aparecem neste período. Ofertas com preços muito discrepante com a realidade, sites com empresas desconhecidas e informações sobre o fornecedor na página da internet, por exemplo, são métodos que o consumidor pode aderir para evitar cair em armadilhas”, orienta Gilmar.

Além da apuração prévia do preço médio dos produtos desejados, é indicado que o consumidor faça uma pesquisa sobre a reputação do fornecedor, tanto na plataforma pública quanto nos diversos sites destinados à avaliação de lojistas e prestadores de serviços, como o ReclameAqui. “Muito importante também, o consumidor pesquisar, saber quais são as principais reclamações contra a empresa e qual é o índice de resolutividade”, diz o diretor.

Relatos de fraudes e opiniões negativas sobre a Black Friday espalham-se na internet, mas a iniciativa é bastante benéfica ao consumidor e ao mercado. Há uma infinidade de pessoas que conquistaram bons descontos no sonhado produto. Assim ocorreu com Jéssica Alves, 27 anos, que constantemente passava em frente a uma loja de móveis e admirava um dos sofás expostos. “Eu sempre olhava e desejava um sofá da loja, mas o conjunto estava mais de R$ 4 mil. Um dia eu resolvi entrar para conhecer as opções de pagamento, foi quando o vendedor me aconselhou voltar duas semanas depois, pois o sofá era um dos itens que entraria no desconto da Black Friday”, conta a estudante.

Ela diz ter se surpreendido com o conselho do vendedor, informando que o produto teria um valor reduzido em poucos dias e que, se não fosse pela boa-fé do funcionário, ela não teria conseguido adquirir o produto. “Foi uma ótima surpresa ele ter me falado. Eu, então, voltei mesmo na sexta-feira e consegui um excelente desconto, paguei R$ 2,5 mil, praticamente metade do valor e, como eu já estava de olho havia tempo, não fui vítima do caso da metade do dobro. O sofá saiu mesmo com quase 50% do preço original”, conta Jéssica.

Consumo consciente

Os descontos atraentes podem significar um grande risco àqueles que não têm um planejamento financeiro definido ou que têm dificuldade em controlar os gastos. Professor de direito do consumidor do UniCeub, Danilo Porfírio ressalta que o endividamento é responsabilidade do consumidor. “É interessante falar sobre isso, pois envolve a ideia de vulnerabilidade do consumidor, que é considerado pelo CDC a parte mais frágil na relação, mas isso não significa que ele perde a autonomia de sua vontade”, afirma.

Para o professor, mesmo que a legislação indique que o consumidor deva receber informações claras e educação sobre as práticas de consumo, ainda assim, é responsabilidade dele, pois a aquisição de um bem parte da vontade do consumidor. “Não podemos terceirizar a responsabilidade do endividamento do consumidor, pois o processo de consumo parte do conceito da necessidade, o consumidor determina quais são as suas e qual o momento ideal para satisfazê-las”, diz Danilo.

Procon faz palestras

Instituto de Defesa do Consumidor (Procon) criou um ciclo de encontros educativos, que começaram no último dia 9 e vai até 21 de dezembro. As palestras tratam sobre finanças pessoais e consumo consciente. Elas ocorrem todas as sextas-feiras, das 9h às 12h, na sede do Procon, que fica no Edifício Venâncio 2000, e são inteiramente gratuitas. Os interessados devem efetuar a inscrição por meio do número, (61) 99234-1888. Cada encontro é limitado a 20 vagas.

*Estagiária sob supervisão de José Carlos Vieira

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