Centenas de pessoas foram ao cemitério de Igarassu para o sepultamento do político conhecido por ser agregador no comando da Assembleia Legislativa
Por Cláudia Eloi
claudia.eloi@diariodepernambuco.com.br
Canções costumam acalantar os corações, amenizar a dor da saudade e serem símbolo de resistência. Ontem à tarde, durante o sepultamento do presidente da Assembleia Legislativa, Guilherme Uchoa (PSC), 71 anos, no cemitério de Igarassu, a música Madeira que Cupim Não Rói, composta por Capiba, foi puxada no microfone e acompanhada em coro pelas pessoas que foram dar o último adeus ao deputado. O local ficou pequeno para comportar a multidão que queria prestar-lhe homenagem.
O governador Paulo Câmara (PSB) decretou luto oficial de cinco dias pela morte do amigo e chefe do Poder Legislativo estadual. Uchoa morreu na madrugada de ontem, em decorrência de edema pulmonar agudo, seguido de parada cardíaca, no Hospital Português, onde estava internado desde o último domingo.
Durante o sepultamento, militares realizaram as honras com três salva de tiros. Minutos antes do corpo de Uchoa ser enterrado, um popular gritou: “Viva o homem, viva o pai, viva o amigo”. Nesse momento, as pessoas bateram palmas como forma de reconhecimento e admiração ao líder político.
Coube ao pároco Josivan Bezerra, da Paróquia de Igarassu, fazer uma prece e confortar a todos, lembrando que “a morte não é o fim, mas uma passagem”. O religioso pediu que os presentes rezassem pelos familiares do parlamentar.
Vários eleitores, amigos, familiares e personalidades políticas participaram da cerimônia. Dentre os presentes, o governador Paulo Câmara, o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), o prefeito de Igarassu, Mário Ricardo, além da viúva do governador Eduardo Campos, Renata Campos e seu filho, João Campos. Também estiveram presentes o ex-prefeito de Igarassu, Yves Ribeiro, além de deputados e vereadores de cidades da Região Metropolitana, onde Uchoa tinha atuação política.
O cortejo foi acompanhado por filhos, netos e nora. Emocionado, o filho do deputado, Uchoa Júnior, lembrou com orgulho do avó carinhoso e do pai presente na vida da família. “Morávamos na mesma casa. Eram dois apartamentos que transformamos em um só. Todo dia, meu pai batia a minha porta logo cedo para programarmos a agenda. E sempre trazia uma novidade para os netos. Salgadinhos, pão doce, biscoitos, mesmo a gente dizendo que não podia”, recordou.
Comunidade
Espremidas na entrada do cemitério por causa da multidão, as professoras da rede municipal de Araçoiaba, Arlete Maria da Silva e Veridiane Correia, afirmaram que Uchoa sempre foi um político presente na comunidade escolar. “Ele era atuante e tinha um olhar especial para a educação”, disse Veridiane. Segundo Arlete, a morte do presidente da Assembleia Legislativa pegou a todos de surpresa. “Orei muito quando soube. Agora só nos resta rezar para ele e para Deus acalantar sua família”, comentou Arlete.
A vereadora Irene Rosa da Silva Marques, de Igarassu, conhecida como Bola, estava inconsolável com o falecimento do amigo. Ela contou que há quinze dias andou na garupa da bicicleta com o presidente da Assembleia, quando os dois participaram de um café da manhã no município. “Ele estava muito feliz. O pessoal gravou o vídeo e foi muito repercutido nas redes socais. O deputado era meu segundo pai. Sou vereadora de primeiro mandato e tudo o que tenho foi construído ao lado dele. Ele era meu xodó”, lamentou.
Churrasqueiro há mais de dez anos da fazenda de Uchoa, em Igarassu, Edvan José da Silva, contou que o deputado havia programado uma festa junina quando passou mal. “Ele passou o dia por lá. Estava tudo pronto. O filho dele ligou depois pedindo para cancelar a festa. O deputado vai fazer falta”, comentou. (DO DIÁRIO DE PERNAMBUCO)
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