Homem precisa se cuidar

Campanha Novembro Azul completa 10 anos de criação pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, conscientizando e alertando sobre os riscos do câncer de próstata

- (crédito: Acervo Bradesco Seguros)

Apresentado por 
Correio Braziliense

Vergonha, silêncio, preconceito, medo. São sintomas de um estigma cultural que acomete boa parte dos milhões de homens brasileiros, por se sentirem embaraçados ao tocar no tema câncer de próstata. Um tabu que vem sendo quebrado com a boa arma da informação. E é propagando informações que o Instituto Lado a Lado pela Vida (LAL) completa 10 anos de criação da campanha Novembro Azul, chamando a atenção para os cuidados com a saúde física e mental do homem, para a prevenção e o diagnóstico precoce da doença. Segundo o Instituto Nacional do Câncer, o câncer de próstata é o mais comum entre os homens, e representa (29%) dos diagnósticos de tumores malignos em homens no país.

Os médicos alertam que os exames de diagnóstico devem começar a partir dos 45 anos. Quanto mais velho, mais a doença avança. Não há ação, medicamento ou alimento que previna. É letal, sem sintomas na fase inicial da doença, e pode espalhar-se por todo o corpo. Mas, por ser silencioso, o câncer de próstata se for descoberto no início tem todas as chances de tratamento - daí a relevância de se fazer, o quanto antes, exames de sangue (psa) e o toque retal. Porque é no exame de rotina que pode ser detectado.

A recomendação é mais impactante para os negros, que têm o dobro de chances de desenvolver o câncer de próstata, segundo estudos no Brasil e no exterior. Se o Brasil tem a segunda maior população negra do mundo, atrás da Nigéria, dar ênfase à essa informação é fundamental. Outro grupo de forte risco é quem tem histórico familiar da doença, que também necessita iniciar os exames aos 45 anos. Aos demais homens, a recomendação é iniciar a investigação da doença aos 50 anos.

"Nosso olhar está voltado a crianças, adolescentes e adultos jovens, pois temos que mudar as estatísticas negativas", afirma a presidente do LAL e idealizadora do Novembro Azul, Marlene Oliveira. Ela destaca que o Instituto não se limita a falar de saúde do homem somente neste mês. Mas que os ventos do Novembro Azul estimulem, cada vez mais, a mudança de comportamento masculino o ano inteiro, na direção da necessidade dos cuidados com o corpo e a mente, da infância ao envelhecimento.

"Não é só uma campanha de conscientização, é um movimento que tem o papel de mobilizar o debate sobre políticas públicas dedicadas à saúde do homem brasileiro."Marlene Oliveira, presidente do LAL e idealizadora do Novembro Azul, em discurso no Senado, em audiência que celebrou os 10 anos da campanha.

Atuar como uma voz ativa junto aos gestores e formuladores de políticas públicas é uma atividade constante do Instituto Lado a Lado pela Vida para estimular mudanças positivas que ajudem a melhorar a saúde no Brasil, tanto no SUS (Sistema Único de Saúde) como na saúde suplementar.


Cuide do que é seu

Fundado em 2008, o Instituto LAL é a única organização social brasileira dedicada, simultaneamente, às duas principais causas da mortalidade - o câncer e as doenças cardiovasculares - além de intenso trabalho relacionado à saúde do homem.

Entre as ações para celebrar os 10 anos de chamamento do Novembro Azul, uma bem cuidada campanha na mídia em geral trouxe o tema: “Cuide do que é Seu”. Criou o 0800 do Homem (0800222 2224), um canal telefônico em que é possível tirar dúvidas, receber orientações sobre saúde e ser ouvido. “Não se trata de uma consulta, mas de uma escuta para orientar e esclarecer e, também, para ouvir as angústias”, esclarece Marlene. É mais um canal de comunicação reforçado pelo LAL, que em 2020, em plena pandemia do covid-19, que afastou ainda mais o público em geral de hospitais e postos de saúde, registrou 7,4 mil atendimentos via WhatsApp. Cerca de 45% dos contatos foram de homens em busca de informações sobre sexualidade, impotência, lesões nos genitais e câncer de próstata.

O serviço 0800 pode encorajar o cuidado com a saúde e reduzir o tabu com o exame de toque retal, que ainda impede 10% dos homens brasileiros a buscarem diagnóstico sobre essa doença, segundo recente pesquisa do Instituto. O levantamento mostra que 62% vão ao médico quando têm sintomas, de qualquer doença, insuportáveis. Enquanto 53% buscam a internet para saber sobre sintomas leves.

“O exame do toque retal não causa incômodo e é muito rápido. Não dá tempo de sentir desconforto. Quem não quer fazer o exame é porque tem uma barreira interior, que vem de anos”, diz José Romildo Lima, aposentado, 70 anos, que faz o exame anualmente.

Paciente 360

Outra novidade do LAL é uma ação inédita em parceria com a plataforma Paciente 360, um canal interativo e humanizado de apoio aos que enfrentam o diagnóstico do câncer de próstata.

Ao acessar a plataforma Paciente 360 pelo portal do Instituto, o internauta participa de uma simulação de uma situação real, apresentada por atores, que reproduz a vivência de um paciente que recebeu o diagnóstico de câncer de próstata e está acompanhado da esposa, na sala de espera de um consultório médico fictício. Nessa interação, é possível perceber, inclusive, as sensações e os sentimentos de quem recebeu o diagnóstico de câncer de próstata.

A presidente do LAL tem enfatizado a importância da educação para a prevenção de doenças do homem que podem ser evitadas, desmistificando, por exemplo, a crença de que quem tem tempo e necessidade de ir ao médico é a mulher. “Nosso trabalho tem, a cada ano, ampliado sua voz junto aos mais jovens, com ações em escolas e junto a prefeituras. Temos que investir, fortemente, em educação para a saúde, para que tenhamos uma nova geração de homens atentos aos cuidados com seu corpo e sua mente e não é só falar de câncer de próstata no Novembro Azul, mas orientar sobre outras doenças que podem ser evitadas com mudanças de atitudes”, explica Marlene. E lembrar que algumas enfermidades por causas genéticas podem ser menos agressivas, se diagnosticadas de forma precoce, com o autocuidado masculino.


Maior letalidade

Marlene destaca alguns dados do estudo “10 respostas sobre a saúde do homem”, feito pelo Núcleo de Pesquisa do LAL, com apoio da Gillette, que ouviu 1,8 mil homens em idades de 18 a 65 anos, no Brasil, Argentina, Colômbia e México. Segundo o levantamento, 77% dos brasileiros estão informados sobre a importância do exame de toque, mas a parcela de latino-americanos é menor, (55%), o que mostra a força do Novembro Azul no Brasil em informar a população. No entanto, ter conhecimento ainda não faz com que a ação seja efetiva, pois apenas 37% dos brasileiros fizeram o exame e ainda pior, 43% dos que têm idade acima de 45 anos afirmaram que o médico não recomendou.

Em relação à possibilidade do negro ter mais chance de ser acometido pela enfermidade e ter três vezes mais chance de morrer pela doença, 86% dos brasileiros desconhecem a informação. E entre os latinos, 93% acham que tais riscos são falsos, ou não têm a menor ideia sobre o assunto.

Os dados da pesquisa sinalizam o impacto positivo da campanha no Brasil, mas há muito a fazer e há espaço para ela se expandir regionalmente, passo que o Instituto já começou a trilhar.

Ela destaca alguns dados de levantamento “10 respostas sobre a saúde do homem”, feito pelo Núcleo de Pesquisa do LAL com 1,8 mil homens em idades de 18 a 65 anos, no Brasil, Argentina, Colômbia e México. Segundo o estudo, somente 37% dos brasileiros fizeram o exame de toque retal recentemente, sendo que a maioria não fez ou por desinformação ou por falta de recomendação do seu médico. A clínica ou o consultório médico são visitados por 62% dos brasileiros e 73% dos latino-americanos, mais quando sentem incômodos do que por prevenção.

Nota-se que ainda há bastante desinformação, quando 13% dos entrevistados no país acham que o câncer de próstata mata poucos homens. E outros 20% dizem nada saber a respeito. Entre os latinos, o percentual é maior, pois 26% não sabem e 18% acreditam que a letalidade é pequena. Em relação à possibilidade do negro ter mais chance de ser acometido pela enfermidade e ter três vezes mais chance de morrer pela doença, 86% dos brasileiros desconhecem a informação. E entre os latinos, 93% acham que tais riscos são falsos, ou não têm a menor ideia sobre o assunto.

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