Kertzman: Que tríplex que nada; que Lulinha que nada; Brasília tem um novo Midas

Por Ricardo Kertzman

Fabrício Queiroz ao lado do senador Flávio Bolsonaro 
(Crédito: Reprodução/Facebook)

Flávio Bolsonaro, o senador das rachadinhas, é mesmo um homem de sorte nos negócios imobiliários. Ou pra lá de competente, né?, vá saber. Eu, no lugar dele, já estaria fora da vida pública há muito tempo. Salvo, claro, se conseguisse ganhar mais dinheiro, como político, do que como empresário. Mas estes ganhos teriam de ser, necessariamente, “por dentro”.

Mas Flávio não é bom só em imóveis, não. Foi um empreendedor de sucesso na franquia de chocolates Kopenhagen. Aliás, deveria constar no Guinness Book – livro dos recordes -, como o maior vendedor de panetones de chocolate do mundo, sempre em dinheiro vivo, mesmo em épocas em que nenhuma outra loja da rede vendia os deliciosos bolos de Natal.

O bolsokid 01, como todos sabemos, é aquele atolado “até o pescoço” em casos de peculato, o nome correto para as tais rachadinhas. Assim como os outros irmãos, o filho do amigão do Queiroz, seu ex-assessor, diga-se de passagem, tem o hábito de comprar e vender imóveis transacionando em espécie, ou seja, em operações em dinheiro, fora do sistema bancário.

Só no âmbito do inquérito em que é investigado, o pimpolho do devoto da cloroquina comprou e vendeu 19 imóveis, e auferiu lucro de 237% numa época em que a valorização média foi de apenas 11%. Se fosse filho daquele notório corrupto e lavador de dinheiro, Lula da Silva, seria considerado “um fenômeno; uma espécie de Ronaldinho dos negócios”. Quem diria, né?

Mas de todas as “tacadas” imobiliárias, a compra de uma mansão de 6 milhões de reais em Brasília, descoberta e divulgada pelo site O Antagonista, pode ter sido sua “gamecorp”, uma empresa mequetrefe aberta por Lulinha, comprada por 15 milhões de reais à época, pela Oi, do poderoso Sérgio Andrade, amigo de décadas do meliante de São Bernardo. Explico:

A mansão, oficialmente adquirida por 6 milhões de reais – ironicamente o mesmo valor que a Justiça cobra de Flávio Bolsonaro, por conta dos salários de 12 ex-assessores considerados fantasmas – é avaliada em pelo menos 9 milhões de reais, um valor mais próximo de outros imóveis com as mesmas características de acabamento e tamanho, à venda na mesma rua.

Segundo a denúncia do MP (Ministério Público) do Rio de Janeiro, entre 2010 e 2017, Flávio lucrou 3 milhões de reais em transações imobiliárias, com “suspeitas de subfaturamento nas compras e superfaturamento nas vendas”. Ou seja, o bolsokid comprava sempre “abaixo do mercado” e vendia sempre “acima do mercado”. É o nosso Donald Trump tupiniquim, hehe.

Assim, se demorou sete anos para embolsar essa grana, apenas na diferença entre o valor de mercado (9MM) e o valor pago (6MM) no “puxadinho”, conforme o contrato registrado em um cartório de Brazlândia, a 50 km de Brasília, já empatou o jogo, ou melhor, os cofres. Fale a verdade, leitor amigo: até que o “tripéc” do Guarujá não era aquilo tudo, não é mesmo?

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