Planejar para crescer: confira dicas para quem quer empreender em 2021

Microempresária no ramo da estética apostou no plano de negócios para sobreviver durante a pandemia. Especialista dá dicas de planejamento empresarial

Td Talita de Souza*

Helen Valadares, à direita, ao lado da sócia Milena Fonseca, conta que um planejamento assertivo ajudou o microempreendimento criado por ela a dar os primeiros passos 
(crédito: Talita de Souza/Esp. CB/D.A Press)

“Desde quando decidi abrir o negócio, estudei muito o mercado de estética, falei com amigos administradores e conheci o plano de negócio, um planejamento total da empresa. Isso me preparou para qualquer cenário, o pior e o melhor”, relata Helen Valadares, 27 anos.

Ela é fundadora da Aurora Beauty Center, microempreendimento localizado em Samambaia e especializado em extensão de cílios, design de sobrancelhas e alongamento de unhas. Em parceria com a sócia, Milena Fonseca, Helen abriu o negócio na própria casa em outubro.

A decisão por empreender veio após se tornar mãe e desejar mais tempo para a criação dos filhos. Helen encontrou no ramo estético o meio de conseguir sustentabilidade financeira e tempo de qualidade.

“Eu sempre quis ter um negócio meu. Aos 15, para ajudar minha família, revendia peças jeans. Já empreendi com amigos, mas, por falta de conhecimento técnico, não conseguimos continuar. Quando decidi pela Aurora, entendi que precisava me planejar para ter sucesso”, diz.

O plano de negócios guiou as decisões necessárias antes mesmo de inaugurar o empreendimento. Ela mudou de endereço para garantir um atendimento de qualidade, mesmo dentro de casa.

“A minha meta, que coloquei no plano, era proporcionar o melhor atendimento da área, uma ótima experiência e, para isso, precisava de um lugar maior, mesmo em casa. Deixei o apartamento e fui para uma casa com um quarto a mais, perto da entrada, ideal para atender minhas clientes”, conta.

» Ao abrirem a Aurora Beauty, há cerca de dois meses, as sócias Helen Valadares e Milena Fonseca prepararam-se para tempos iniciais com poucos clientes. “O primeiro mês foi muito bom, já o segundo foi terrível, mas eu já tinha me preparado para o pior. Eu fiz métricas para cenário excelente, razoável e ruim”, conta.

» “O que eu tinha de fazer se eu atendesse somente 10 clientes? Eu sabia o que fazer. Eu já tinha tudo certo e planejado, isso me ajudou muito”, pontua. Também foi no planejamento que ela viu que precisava de técnicas de captação e fidelização de clientes, o que começou a fazer após a inauguração.

» Para o próximo ano, Helen planeja continuar os planos que traçou quando o centro estético era apenas um sonho. “Eu tenho a meta de onde quero estar daqui a cinco anos, com um instituto de educação na área, para ajudar pessoas que querem empreender em estética”, revela.

» “Para chegar lá, eu descrevi cada passo, começando pela consolidação do negócio no meu lar. Daqui a dois anos, sairei de casa e vou para um estúdio. Daqui atrês, quero dar cursos e, em um prazo de três a cinco anos, devo abrir o instituto”, sonha a empresária.

» “Tudo eu planejei: qual técnica de marketing vou utilizar, possíveis promoções e parcerias, quantas clientes preciso atender para ampliar.

» É um passo de cada vez, sempre”, conta Helen. Otimista, ela prevê muito trabalho e realizações. “O diferencial para ter sucesso, é persistir, perseverar, continuar. Se algo não está dando certo, é preciso mudar o foco e a estratégia. Só quem tem sucesso é quem não desiste”, aposta.

Para empreender em 2021

"Existe uma cultura no país de empreender por sobrevivência, de ir fazendo com o que dá; mas tivemos a comprovação, na pandemia, de que essa estrutura não funciona a médio e longo prazos nem em cenários de crise" Marcela Brito, mentora de carreiras e negócios
(foto: Arquivo Pessoal)

Boas notícias para quem pensa em empreender: o mercado está pronto para receber novos negócios. É o que afirma Marcela Brito, empreendedora e mentora de carreiras e negócios no Global Mentoring Group. “A curto prazo, o cenário é de mudança e reinvenção. No médio, chegaremos a um patamar até melhor do que o de anos atrás”, conta.

No entanto, a mentora deixa claro: esta será uma realidade somente para quem estruturar de forma consistente o negócio. “Existe uma cultura no país de empreender por sobrevivência, de ir fazendo com o que dá; mas tivemos a comprovação, na pandemia, de que essa estrutura não funciona a médio e longo prazos nem em cenários de crise”, alerta.

Para isso, é necessário percorrer, ao menos, quatro passos. O primeiro é estruturar o empreendimento naquilo em que se é bom de verdade. “O que você faz que as pessoas elogiam ou pedem para você fazer? Isso pode ser usado em um negócio e deve ser explorado para alcançar melhores resultados”, diz.

A partir da descoberta da essência do negócio, é necessário saber como irá entregá-lo para as pessoas. “Será em formato de produto ou de serviço? Qual é a melhor forma de passar adiante? Uma boa forma de fazer isso é observar seu público, conversar e acompanhar pessoas que já estão na área”, sugere.

O terceiro passo é buscar mentores para acelerar o começo do empreendimento. “Por isso, falamos de mentores. Eles são pessoas muito experientes que viveram uma trajetória que pode me ajudar a encurtar meu caminho, a entender erros que não preciso cometer e possíveis caminhos de sucesso”, conta.

Por último, utilizar as redes sociais deve estar no planejamento inicial do empreendimento. “Por meio desses espaços, o empreendedor pode se comunicar diretamente com o público, mostrar a solução que oferece para a dor dele e se conectar”, afirma.

Consolide o empreendimento

Para quem já empreendeu, o momento é de consolidação. Para isso, Marcela sugere uma atenção maior para o planejamento financeiro do negócio. Além disso, repensar o modelo pode ser necessário.

“Nos deparamos com muitos locais fechados em decorrência da pandemia. Isso ocorre porque esses empreendimentos não estavam bem estruturados e não conseguiram se remodelar a tempo ou não se abriram para a mudança. Pense sempre que o seu negócio precisa estar nos espaços físico e digital”, afirma.

A equipe também deve ser analisada. “Quem são as pessoas que formam seu time? Todos os postos são necessários? Elas se encaixam no seu negócio e nos seus objetivos? Esse é um passo necessário para a consolidação”, aconselha.

“Empreender é, sobretudo, um estilo de vida, uma forma de gerir a própria carreira e conseguir construir uma estrutura que não lhe adoeça, que lhe ajude a crescer e que seja sustentável financeiramente”, declara.

*Estagiária sob a supervisão da subeditora Ana Paula Lisboa

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Em novo caso de nudez, corredora sai pelada em Porto Alegre

Filho deve substituir Aragão candidato em Santa Cruz