Polícia de PE quer entender ligações perigosas de grupo morto na Paraíba

Diario de Pernambuco


Participaram da coletiva o delegado José Rivelino, da Diresp Interior, o tenente-coronel Luiz Brito, porta-voz da PMPE, e o coronel da PM Alexandre Menezes - Bruna Costa/Esp. DP
Participaram da coletiva o delegado José Rivelino, da Diresp Interior, o tenente-coronel Luiz Brito, porta-voz da PMPE, e o coronel da PM Alexandre Menezes -
Bruna Costa/Esp. DP
O embate entre forças policiais de Pernambuco e Paraíba que resultou na morte de oito suspeitos na madrugada dessa terça-feira (2) continua com pontos a esclarecer. A Polícia Civil pernambucana investiga se o vereador Andson Berigue de Lima, o Nanaca (PP), em Betânia, PE, tinha de fato ligação com o bando; apura quem teria disparado a espingarda de repetição contra uma viatura, em Santa Cruz do Capibaribe, Agreste do estado; e averigua se o caso tem ligação com o Novo Cangaço, modalidade criminosa que consiste em assaltar bancos pelo interior nordestino. 

A ação integrada foi detalhada em coletiva realizada na manhã desta quarta (3), no Quartel do Derby. Segundo o porta voz da Polícia Militar de Pernambuco, tenente-coronel Luiz Brito, o emprego de violência foi necessário por se tratar de um grupo extremamente agressivo, que não pretendia se render e que atacava os agentes na hora em que foram surpreendidos, no Sítio Boi Brabo, localizado no limite entre Barra de São Miguel e Riacho de Santo Antônio, na Paraíba. 

“Apesar de terem visto que o aparato policial era muito superior ao que eles tinham de arsenal, enfrentaram a força pública com extrema violência. Eles não iam se entregar, mesmo com a voz de comando, mesmo com o cerco policial, empreenderam fuga e atiraram contra a força pública”, disse Luiz, que acredita que o bando estava reunido para planejar outro ataque a banco, visto que a quantia apreendida com os suspeitos era visivelmente inferior a que costuma ser vista em casos similares - R$ 56.075,00.

Ainda não estão claras as ligações perigosas da quadrilha. Só há dois fatos atestados: que o líder seria José Adson de Lima, conhecido como Galego de Leno; e que o vereador Nanaca, irmão de Galego, estava dentro de um dos carros utilizados na fuga pelo bando na terça. A Polícia Civil ainda não pode atestar se o político era integrante efetivo do grupo. 

“As informações iniciais apenas apontam os irmãos tinham passagem pelo sistema penitenciário por adulteração de placa de carro”, pontua o delegado José Rivelino Ferreira de Morais, diretor integrado do Interior I.

Supresa

O coronel Luiz admite que a polícia foi pega de surpresa durante a investida criminosa em Santa Cruz. “O policiamento estava com pistolas .40. Naquele momento (do crime) estavam fazendo uma ronda comum”, pondera, ao acrescentar que a PM dispõe de boa estrutura  - inclua-se aí espingardas de repetição, semelhantes a que alvejou a viatura na cidade. 

Os tiros consecutivos causaram a morte do soldado André Silva, atingido na cabeça e morto dentro do carro; e feriram o sargento Moacir Pereira da Silva, baleado na cabeça, braço e virilha. Moacir segue internado em estado grave no Hospital Regional do Agreste, em Caruaru. Ainda não se sabe quem do bando descarregou a espingarda na viatura - os vídeos que viralizaram nas redes sociais apenas atestam a presença de quatro dos oito que morreram entrando em um carro Fox, localizado horas depois abandonado no município.

Segundo o delegado Rivelino, as investigações precisam avançar mais para cravar determinados detalhes - Bruna Costa/Esp. DP
Segundo o delegado Rivelino, as investigações precisam avançar mais para cravar determinados detalhes - Bruna Costa/Esp. DP

Além do vereador Nanaca e seu irmão Galego, são suspeitos de integrar o grupo morto o primo dos dois rapazes, Wedys Souza Vieira, 22, conhecido como Edys de Gevan; Marcela Virgínia Silva do Nascimento, 32, apontada como namorada de Galego; Reniere Alves de Souza, 32, viúva de um criminoso de Alagoas que também assaltava bancos; José Pedro Agostinho da Silva, 30; Manoel José de Lima, 37; e o adolescente E., de 17.

Ao serem surpreendidos pela polícia no sítio paraibano, saíram em fuga em dois carros: uma Toro prata e um Grand Siena branco. Além dos veículos e do dinheiro, foram apreendidas duas pistolas .380, dois revólveres .30; uma espingarda .12 de repetição; dois carregadores de arma .380; e mais de 90 munições de .38, .380 e .12.

Os oito mortos foram encaminhados para a UPA de Santa Cruz, onde foram atestados os óbitos. Questionado sobre uma foto que viralizou nas redes sociais, dos corpos empilhados um em cima do outro dentro da unidade médica, o tenente-coronel Luiz explicou que aconteceu pelo contexto da operação, momento de forte tensão emocional nos envolvidos.

Novo Cangaço?

Apesar de se tratar de um bando criminoso suspeito de praticar diversos assaltos a banco em Pernambuco, Paraíba e Alagoas, o delegado Rivelino preferiu não qualificar a ação como Novo Cangaço. As investigações precisam avançar mais para saber se de fato foi uma investida desse estilo ou se foi aleatório.

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