Fernando Monteiro: “os mais pobres não tinham que pagar essa conta”


Mantendo a posição que assumiu desde o início das discussões, o deputado Fernando Monteiro (PP-PE) votou contra a reforma da Previdência no primeiro turno das votações na Câmara dos Deputados. Na opinião do parlamentar, “não faz sentido, na situação social em que se encontra o país, pedir que a mais empobrecida parcela da população ajude a pagar a conta do rombo fiscal. “Quem ganha R$ 5 mil e perde R$ 100,00 pode nem perceber, mas quem ganha um salário mínimo e perde R$ 70,00, perde o gás”, exemplifica.

Fernando Monteiro, que nos primeiros seis meses do segundo mandato está completando 60 mil quilômetros rodados por Pernambuco e 66 municípios atendidos diz que, apesar de atravessar o Estado, não encontrou uma justificativa para dizer às pessoas do Nordeste porque deveria aprovar a reforma. “Pelo contrário. A realidade e as pessoas provaram a injustiça”, reforça.

O parlamentar avalia que a economia do Nordeste passa por dificuldade maior que a do restante do Brasil. O Produto Interno Bruto (PIB) da região subiu no ano passado praticamente a metade da média do Brasil. Em 2018, o PIB nordestino cresceu 0,6%, enquanto o do Brasil subiu 1,1%. Em 2017, a região também ficou abaixo: 0,8% no Nordeste, e 1,1% no país todo. “Se o Brasil vai mal social e economicamente, o Sul-Sudeste resiste e se garante, mas no Nordeste até a sobrevivência fica difícil”, observa Fernando.

Apesar do voto contrário, o deputado deixa claro que é a favor do ajuste fiscal. Ele acredita que é preciso equilibrar as contas públicas para que o Estado tenha um mínimo de credibilidade e tenha dinheiro para assumir compromissos sociais. “Nunca ninguém me ouviu pregar contra o ajuste fiscal, nunca ninguém me ouviu apoiar a esbórnia fiscal em que o país mergulhou”, aponta.

BUROCRACIA – Outro argumento do deputado Fernando Monteiro para o voto contrário à reforma da Previdência é que o acesso ao benefício da aposentadoria rural trará travas burocráticas que poderão dificultar a vida dos agricultores. “O nordestino do campo vai ficar refém da indústria da intermediação para entregar papéis e satisfazer exigências que têm dificuldade em atender e entender”, prevê.

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