ECONOMIA REGISTRA QUEDA, MAS ESPECIALISTAS ACREDITAM EM RETOMADA

Avanços no projeto do governo e na infraestrutura são vistos como medidas importantes

Rodrigo Castro
Época

Desempenho da economia ainda é fraco em 2019. 
Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

A economia brasileira voltou a registrar queda em fevereiro, como informou, nesta segunda (15), o Banco Central. Considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,73% em comparação a janeiro, a maior retração desde maio do ano passado, quando eclodiu a greve dos caminhoneiros. No primeiro mês de 2019, a contração foi de 0,31%, de acordo com os dados atualizados. O último resultado frustrou inclusive as expectativas de economistas, que projetavam uma baixa menor. 

O indicador, calculado mensalmente pelo BC, leva em conta a produção dos três setores da economia: agricultura, indústria e serviços. O PIB mede, a cada trimestre, a soma dos bens e serviços produzidos no país e é estimado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Sem “colocar na conta” do novo governo, o economista Gilberto Braga, professor do IBMEC, acredita que os números estão vinculados à confirmação do projeto político de Bolsonaro, visto, segundo ele, positivamente pelo mercado. “O projeto é bom, o mercado gosta. A reforma da Previdência foi muito bem recebida, mas as preocupações com a articulação e uma possível desidratação mantêm o mercado em alerta”, disse. 

Segundo Braga, a guinada econômica depende dos rumos da reforma da Previdência e qualquer outra medida econômica tende a ser “paliativa e de efeitos reduzidos”. “Liberar crédito ou flexibilizar a Lei de Responsabilidade Fiscal não teria grandes efeitos. Em termos práticos, a economia fica em banho-maria até a definição do texto da reforma da previdência, que vai dar confiança para o empresariado investir, gerar emprego e sinalizar outras aprovações como a reforma tributária”. Apesar das indefinições, o professor é otimista em relação ao crescimento do PIB. 

Já o economista Thiago Xavier, da consultoria Tendências, pontua que a atividade global tem demonstrado um crescimento lento em seu quadro geral. Para ele, a mudança de data do Carnaval para março impactou o resultado, devido ao aumento do número de dias úteis em fevereiro. “Em termos setoriais, há algumas divergências. A indústria, desde o fim do ano passado, vem em ritmo de desaceleração. Tivemos uma série de choques, como a greve dos caminhoneiros e a crise da economia argentina. Previsões são difíceis de serem feitas por causa do câmbio volátil. Enquanto a indústria continua com baixo desempenho, assim como os investimentos, são os gastos familiares e suas demandas que vão sustentar uma retomada”, analisou. 

Xavier pensa que uma boa alternativa para aquecer a economia passa pelo avanço da agenda de infraestrutura e o crescimento da produtividade. “Concessões, leilões e bons contratos podem gerar impactos positivos na construção civil, responsável por muitos empregos indiretos. É um efeito em cadeia grande”, opinou. 

Ele ressalta, porém, que os últimos desdobramentos, como a interferência do governo na política de preços da Petrobras, requerem atenção e podem gerar impactos inesperados. “O mercado interpretou como uma arbitrariedade e não sabe quando pode voltar a ocorrer, afetando a autonomia da empresa. É importante não ter ingerência na política de preços”, sustentou. “O contexto é delicado — de iminência de nova greve dos caminhoneiros. Acredito que se deva equalizar, respeitar a autonomia da empresa, mas também não se pode onerar o consumidor.”

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