Governo do Brasil mira nos acordos comerciais com os Estados Unidos

Correia Braziliense

Bolsonaro volta o foco da agenda nos Estados Unidos para temas econômicos. Roteiro do dia prevê encontro com investidores

Bolsonaro ao desembarcar em Washington: presidente mostrou irritação com as 
afirmações de Olavo de Carvalho contra os militares, e o vice, Hamilton Mourão
(foto: Isac Nóbrega/PR)

Washington, DC — Bolsonaro desembarcou ontem à tarde nos Estados Unidos para uma agenda de praticamente 48 horas, onde o pêndulo do governo balançará entre a parte econômica, capaz de alavancar o país a outro patamar — e, com isso, o prestígio de seu governante —, e uma parte mais ideológica, que estreita o diálogo com outras forças políticas, importantes. As frases polêmicas de Olavo, avaliam alguns aliados do presidente, fazem com que o presidente termine mais dedicado à pauta econômica.

Hoje, por exemplo, o ponto alto da agenda será o discurso na Chamber of Commerce, a Câmara de Comércio, onde a maioria dos ministros tem extensa agenda de negócios. As exceções são Sérgio Moro, da Justiça, que conversará com o chefe do FBI; e Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, que estará dedicado aos acordos sobre a base de lançamento de Alcântara. Ontem, ao sair para o jantar, o ministro fez questão de frisar que não haverá desrespeito à soberania do Brasil. Todos os sete ministros participaram do jantar na embaixada do Brasil, o primeiro compromisso do presidente em Washington, onde ele discursou para a seleta plateia.

Nesse primeiro discurso, mais protocolar, o presidente mencionou, nas palavras do porta-voz, que “democracia e liberdade são o que une os dois países neste momento”. Rego Barros mencionou ainda que os objetivos dessa viagem são “fortalecer o nosso comércio, reconhecendo que os Estados Unidos são o segundo mercado para os produtos brasileiros; a diplomacia de fortalecer a democracia nesse lado do Ocidente é extremamente importante, reconhecendo que aspectos relativos ao antigo comunismo não podem mais imperar nesse ambiente que vivenciamos”.

Embaixador

O presidente não deve trocar o embaixador em Washington nesta viagem. Segundo Rego Barros, o presidente elogiou o trabalho de Sérgio Amaral, e que ainda fará os estudos necessários para a substituição do posto, considerado chave na geopolítica brasileira. Amaral, que já foi porta-voz, ainda conversou bastante com Rego Barros no coquetel que antecedeu o jantar: “Ele me disse que tomasse cuidado com vocês”, brincou o porta-voz, que saiu do jantar para conceder uma entrevista na porta da residência da embaixada, onde os termômetros marcavam 7 graus Celsius.

Manifestação contra o STF

Protagonistas do movimento pelo impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, os grupos de direita Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e Nas Ruas, promoveram ontem manifestações contra a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de enviar para a Justiça Eleitoral casos de crimes ligados à prática de caixa 2, como corrupção e lavagem de dinheiro. Um dos atos ocorreu na Avenida Paulista, em São Paulo, onde manifestantes se reuniram em torno de um carro de som para protestar contra a decisão da Corte. No Rio, o ato foi realizado na praia de Copacabana. Uma das faixas usadas dizia "Vergonha". Já em Brasília, cerca de cem pessoas, de acordo com estimativa da PM, se reuniram em frente ao prédio do Supremo.

(foto: Eric Baradat/AFP)

Protestos na frente da Casa Branca

Washington — Duas horas antes de o presidente Jair Bolsonaro desembarcar na capital dos Estados Unidos — ele pousou na base aérea 15h40 — ativistas americanos e brasileiros organizaram uma manifestação dos moldes do “ele não” que marcou a oposição ao candidato do PSL na campanha presidencial no ano passado. Em número bastante reduzido, cerca de 50 pessoas, entre ativistas e estudantes, se posicionaram no gramado da Lafayette Square, em frente à Casa Branca, se revezando ao microfone. “A maioria da comunidade brasileira em Washington é apoiadora de Bolsonaro, busca esse sonho americano que ele prega, mas para isso, é preciso fazer muita coisa ainda no nosso país”, comentou a professora Marina Caetano, 27 anos.

Quando Bolsonaro chegou à Blair House, atrás da Casa Branca, a manifestação já havia terminado. Ele acenou para algumas pessoas que estavam lá, em seu apoio. Thiago, pastor que faz mestrado em Teologia nos Estados Unidos, fez questão de ir até lá vestido com a camisa da Seleção Brasileira. Disse que está esperançoso nas mudanças que o presidente proporcionará ao Brasil. O deputado Eduardo Bolsonaro, que soube da manifestação pelos jornalistas, comentou que críticas são “bem-vindas e fazem parte da democracia”.

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