Rodrigo Maia é reeleito presidente da Câmara no primeiro turno

Deputado do DEM vence disputa com 334 votos

Bruno Góes e Eduardo Bresciani
O Globo

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, durante discurso na sessão de votação 
Foto: Jorge William / Agência O Globo

BRASÍLIA — Depois de uma longa jornada de negociações e acordos de bastidores, iniciados antes mesmo da eleição de 2018, Rodrigo Maia (DEM-RJ) foi reconduzido, nesta sexta-feira, à presidência da Câmara dos Deputados. Em vitória contundente, Maia conseguiu se eleger no primeiro turno, com 334 votos. Alinhado à pauta do superministro da Economia, Paulo Guedes, conseguiu formar uma ampla aliança. Conjugou o apoio de deputados do PSL, integrantes de uma bancada inexperiente e ainda sem trato político, com partidos de esquerda, como PDT e PCdoB. Entre os dois polos, conseguiu ainda reunir mais 13 partidos de centro.

Os demais candidatos não conseguiram chegar nem perto da votação de Maia. Às 21h26, o placar da Câmara dos Deputados marcava 66 votos para Fábio Ramalho (MDB-MG), 23 para Marcel van Hattem (Novo-RS), 50 para Marcelo Freixo (PSOL-RJ), 30 para João Henrique Caldas (PSB-AL) , 4 para Ricardo Barros (PP-PR) e 2 para Sargento Peternelli (PSL-SP).

Antes de os deputados irem às urnas, Maia foi o mais aplaudido entre candidatos que discursaram — interrompido cinco vezes pelas palmas. Ele focou sua fala de candidato no plenário na defesa das reformas econômicas. Afirmou que o estado brasileiro perdeu capacidade de investimento e que é preciso enfrentar o tema para permitir melhorias em outras áreas.

— As reformas não são simples, mas são necessárias. Visitei quase todos os estados brasileiros, visitei deputados, deputadas, prefeitos governadores, todos eles, do PT ao DEM, me pediram uma coisa: se não aprovarmos essas reformas, todos os estados e municípios chegarão ao ponto que chegou Minas Gerais, onde os bombeiros trabalham naquela tragédia (de Brumadinho) sem receber salários — afirmou Maia.

O passo decisivo para a vitória de Maia foi dado na semana passada, quando o líder do PP, Arthur Lira, abandonou a disputa e enterrou a possibilidade de um bloco formado por PP, MDB, PTB, PT e PSB. Esse bloco esperava atrair outros dois partidos de centro-esquerda, PCdoB e PDT, para abocanhar mais cargos na Mesa e enfraquecer o atual presidente da Câmara. A intervenção de Maia foi decisiva. Manteve comunistas e pedetistas sob sua órbita.

A articulação desembocaria em um agravamento da crise na esquerda. Ontem, a situação chegou ao plenário, com acusações entre PSOL e PCdoB. Tudo por que a formação dos blocos para a disputa da Mesa prejudicou PT, PSB, PSOL e Rede. Isolados, ficaram apenas com o terceiro maior grupo. Já PCdoB e PDT, com acordo firmado com partidos do centrão, ficaram na segunda posição. Isso poderá lhes dar o direito de liderar a oposição.

— O PT quer tutelar o PCdoB. E, dessa vez, não! Estão usando o PSOL e o PSB, com todo o respeito — discursou Orlando Silva.

Desde o fim da campanha eleitoral de 2018, o PDT tenta se desvincular do PT para ser uma alternativa de poder para esquerda.

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) afirma que como há partidos aliados ao governo no bloco formado por PDT e PCdoB, esse grupo não poderá indicar o líder da minoria.

— O regimento é claro: a minoria compete ao grupo de partidos de oposição ao governo. Esse bloco que o PC do B e o PDT está tem alguns partidos do governo. Então, a vaga da minoria deve caber ao maior partido do bloco da oposição, que é o PT. E nós podemos indicar de outro partido da oposição, como PSB, PSOL e Rede — afirmou Zarattini.

Questionado qual seria a reação caso Rodrigo Maia (DEM-RJ) dê a vaga para o bloco com PDT e PC do B, Zarattini evitou comentar a hipótese.

— Se ele fizer isso, aí é esmagar o direito da oposição porque vai dar a minoria para partidos que estão com o governo. Ele não vai fazer isso em hipótese nenhuma — afirmou o deputado petista.

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