Congresso barra jornalistas em cerimônia com Bolsonaro

Casa diz que veto à imprensa no plenário foi decidido para manter a segurança do local devido ao grande número de convidados

Mariana Haubert
Terra

BRASÍLIA - Na primeira vez em que retorna à Câmara dos Deputados após ter sido eleito presidente, Jair Bolsonaro participará de uma cerimônia, nesta terça-feira, 6, em comemoração aos 30 anos da promulgação da Constituição Federal em que a imprensa não poderá ter acesso ao local.

A diretoria-geral do Senado proibiu a entrada de jornalistas no plenário da Câmara, onde acontecerá o evento. De acordo com a assessoria de imprensa da Casa, o veto foi decidido para manter a segurança do local devido ao grande número de convidados.

A decisão, no entanto, contrasta com o modo como outras cerimônias semelhantes foram realizadas ao longo dos anos no Congresso. A assessoria não informou se esta seria a primeira vez em que jornalistas estariam proibidos de acessar o plenário.

Plenário da Câmara dos Deputados, onde são realizadas as sessões do Congresso Nacional
Foto: Ueslei Marcelino / Reuters

De acordo com a diretoria-geral, o esquema de segurança definido para o evento é semelhante ao adotado para cerimônias de posse presidencial. A proibição de entrada da imprensa tanto no plenário da Câmara quanto do Senado, no entanto, é incomum. Em geral, os jornalistas podem acompanhar, junto aos parlamentares, sessões ordinárias, comemorativas e especiais.

Na posse da ex-presidente Dilma Rousseff, por exemplo, o número de profissionais da imprensa que podiam acessar o plenário era limitado, mas permitido. Na sessão em que a ex-mandatária apresentou sua defesa no processo do impeachment, a imprensa também acompanhou seu discurso de dentro do plenário do Senado. Depois, com a cassação do mandato da presidente, os jornalistas puderam acompanhar a diplomação de Temer também no plenário do Senado.

Nesta terça, a imprensa poderá acompanhar o evento somente a partir das galerias do plenário da Câmara, local que não dá acesso a quem estiver na área principal do plenário. Os jornalistas também poderão acompanhar a chegada das autoridades no Salão Verde da Câmara.

Além de Bolsonaro, estarão presentes o presidente Michel Temer, os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Supremo Tribunal Federal, ministro Dias Toffoli. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, também participará da cerimônia. Convidados, autoridades, parlamentares e servidores autorizados também participarão do evento.

Esta será a primeira vez que que Bolsonaro voltará à Câmara depois que foi alvo de um ataque durante a campanha eleitoral, no início de setembro, e precisou se resguardar para se recuperar do grave ferimento no abdômen. Neste período, ele permaneceu por quase todo o tempo em sua casa no Rio de Janeiro.

A cerimônia é considerada como um ensaio para a posse de Bolsonaro, que acontecerá dia 1º de janeiro. Como o Estado mostrou mais cedo, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, encomendou à sua equipe um estudo para reforçar a segurança de Bolsonaro e sua família a partir da posse. A área de inteligência do governo afirma que são frequentes as ameaças identificadas contra o presidente eleito.

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