Em fala na ONU, Estados Unidos nega guerra e ocupação da Venezuela

Sequestro de Nicolás Maduro é justificado como aplicação da lei

Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro
Ambassador Mike Waltz deliver remarks at the Threats to international peace and security - Security Council, 10085th meeting. The Situation in Venezuela. Foto: Don Conahan/ONU
© Don Conahan/ONU

Os Estados Unidos negaram nesta segunda-feira (5) estar em guerra ou ocupar a Venezuela ao justificar, na reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), a operação que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro no último sábado (3), em Caracas.

O representante dos EUA na ONU, o embaixador Michael Waltz, disse que a ação em território venezuelano teve caráter jurídico e não militar. Na retórica estadunidense, houve “aplicação da lei, facilitada pelas Forças Armadas”.

“Não há guerra contra a Venezuela nem contra o seu povo. Não estamos ocupando um país. Tratou-se de uma operação de aplicação da lei em cumprimento de acusações legais que existem há décadas”, disse Waltz.

“Os Estados Unidos prenderam um narcotraficante que agora responderá a julgamento nos Estados Unidos, de acordo com o Estado de Direito, pelos crimes que cometeu contra o nosso povo ao longo de 15 anos”, complementou.

Nicolás Maduro e a mulher, Cilia Flores, foram acusados de serem fugitivos da Justiça dos EUA. O líder venezuelano é descrito como chefe de uma organização criminosa envolvida no tráfico internacional de drogas e armas, chamada pelos EUA de "Cartel de los Soles".

Organizações como a International Crisis Group dizem que o Cartel de los Soles não existe e que a narrativa é usada como estratégia dos EUA para intervir na Venezuela. Segundo o embaixador estadunidense “provas esmagadoras de seus crimes serão apresentadas abertamente nos processos judiciais”.

Na ONU, Waltz comparou o sequestro de Maduro ao de Manuel Noriega, no Panamá, em 1989. Levado para os Estados Unidos, Noriega foi condenado por um tribunal e cumpriu prisão tanto no país quanto no Panamá.

Durante o discurso, Waltz disse que Maduro não é reconhecido como chefe de Estado legítimo. Ele citou que mais de 50 países rejeitam o resultado das eleições de 2024, também consideradas fraudulentas por um painel de especialistas da ONU.

“Se as Nações Unidas conferirem legitimidade a um narcoterrorista ilegítimo e lhe derem o mesmo tratamento previsto nesta Carta que a um presidente democraticamente eleito ou chefe de Estado, que tipo de organização é essa?”, questionou o embaixador.

O representante estadunidense disse ainda que Maduro “tornou-se incrivelmente rico” às custas do povo e favoreceu a ação de inimigos dos Estados Unidos em território venezuelano.

“Este é o Hemisfério Ocidental. É onde vivemos e não vamos permitir que seja usado como base de operações por adversários, concorrentes e rivais dos Estados Unidos. Não se pode transformar a Venezuela em um centro operacional do Irã, do Hezbollah, de gangues, de agentes de inteligência cubanos e de outros atores malignos que controlam aquele país”, disse Waltz.

“Não se pode continuar tendo as maiores reservas de energia do mundo sob o controle de adversários dos Estados Unidos, sob líderes ilegítimos, sem beneficiar o povo da Venezuela, e sendo roubadas por um punhado de oligarcas dentro do país”, complementou.

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