Incertezas voltam a assombrar Petrobras após desistência de Landim

Troca-troca de última hora no nome da estatal vem justamente quando sua política de preços está em risco.

Por Bruno Carbinatto
Você S/A


A semana começa com um caos na Petrobras, a empresa com o segundo maior peso no Ibovespa. Ontem pela manhã, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, desistiu de presidir o Conselho da Petrobras, cargo ao qual foi indicado pelo governo Bolsonaro há quase um mês. Em nota, justificou a decisão dizendo que quer focar seus esforços totalmente no clube.

A justificativa não convenceu muito. Nos bastidores, porém, a história que circula é outra. Segundo a jornalista Malu Gaspar, do Globo, o motivo que levou Landim a desistir do cargo seria um conflito de interesses devido a sua ligação com o empresário Carlos Suarez, sócio de oito distribuidoras de gás no Brasil. Landim chegou a ser inclusive investigado pelo Ministério Público Federal brasileiro em razão de repasses de recursos feitos a contas de Suarez na Suíça, conta a reportagem. Na Petro, Landim teria que decidir sobre um acordo bilionário entre a estatal e a distribuidora de gás Cigás, de seu amigo de longa data.

E o problema não para por aí. O mesmo motivo pode derrubar o nome de Adriano Pires, que foi indicado pelo governo para a presidência da estatal e mantém laços com Suarez.

Se Adriano Pires realmente recusar o convite, possibilidade que circula na imprensa desde ontem, o problema do governo só aumentará. Será preciso indicar novos nomes e, até que todo o processo seja esclarecido, o mercado deve acompanhar de perto essa novela. Voltam as preocupações sobre a política de preços da Petrobras, justamente quando Bolsonaro tem intensificado suas críticas e ameaças de intervenção – e logo depois do presidente demitir Silva e Luna exatamente por esse motivo, diga-se.

Enquanto isso, nos EUA, o mercado começa a semana andando de lado. As expectativas por lá estão na ata do Fomc, o comitê de política monetária deles, que sairá na quarta-feira. O documento deverá confirmar o viés mais agressivo do Fed para combater a inflação e pode indicar uma alta de 0,5 pontos percentuais para a próxima reunião. A ver.

Boa semana!


• Futuros S&P 500: 0,10%
• Futuros Nasdaq: 0,36%
• Futuros Dow: -0,03%
*às 7h55


• Índice europeu (EuroStoxx 50): 0,15%
• Bolsa de Londres (FTSE 100): 0,24%
• Bolsa de Frankfurt (Dax): 0,03%
• Bolsa de Paris (CAC): 0,24%*às 7h55


• Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): feriado, sem negociações
• Bolsa de Tóquio (Nikkei): 0,25%
• Hong Kong (Hang Seng): 2,10%


• Brent: -0,02%, a US$ 104,37*
• Minério de ferro: 1,52%, a US$ 163,80 por tonelada em Cingapura
*às 7h56


Dia de agenda esvaziada. A divulgação do Boletim Focus foi adiada devido à greve dos servidores do BC.

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