Primeiro de Maio: Unidade, luta e esperança!

Por Luciana Santos*


A classe trabalhadora celebra o seu dia internacional em meio a um cenário dos mais adversos para os povos de todo mundo. Com a eclosão da pandemia da Covid-19, a grande crise capitalista que se iniciou em 2007-2008 se agravou e se desdobrou em várias faces. E, como sempre, pelo planeta afora, o peso dessa crise múltipla está sendo lançado sobre os ombros dos trabalhadores e trabalhadoras.

A pandemia atinge a todos, mas os dados mostram que são os trabalhadores os que mais morrem. Há uma brutal concentração de vacinas nos países ricos – de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), enquanto 87% dos vacinados são de países ricos, nos menos desenvolvidos apenas 0,2% da população foi imunizada. A pandemia vai pondo a nu a essência desumana e injusta do capitalismo.

Em contraste, os países socialistas – como China, Vietnã e Cuba –, apoiados na ciência e na mobilização de seus povos, enfrentam a pandemia com êxito e praticam ações de cooperação e solidariedade com outros países, como é o caso da parceria entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa Sinovac para produção da vacina Coronavac.

No Brasil, a conduta criminosa de Bolsonaro resultou em elevar a pandemia à gravidade de catástrofe nacional. Já são 400 mil mortes! E, tanto a média móvel de óbitos, como de novos casos, embora em declínio, estão ambos num patamar alto. O Brasil tem 2,7% da população mundial e atingiu 13,6% de todos os óbitos por Covid no mundo.

Essa catástrofe e o programa ultraliberal e neocolonial do governo empurraram o país à uma grave crise econômica e a um quadro de verdadeira tragédia social. Cerca de 800 mil empresas foram fechadas durante a pandemia e o Brasil voltou ao mapa da fome, com cerca de 59% dos domicílios brasileiros com insegurança alimentar e 19,1 milhões pessoas não têm o quer comer.

Esse cenário de ruína penaliza sobretudo a classe trabalhadora. Além do desemprego, que tem se mantido acima de 14% da população economicamente ativa, há o aumento significativo de subempregos. É uma regressão sem precedente, resultando em forte precarização do trabalho. Entre os trabalhadores com idade de 18 a 24 anos, a taxa de desemprego é ainda mais elevada, chegando perto de 30%. Segundo o IBGE, mais de 76 milhões de pessoas estão fora da força de trabalho.

E a dupla Bolsonaro-Paulo Guedes dobra a aposta na desastrosa política ultraliberal, mantendo o teto dos gastos não-financeiros, cortando recursos do SUS, da Educação e dos programas de habitação popular. Além disso, tem continuidade a nefasta agenda de privatizações, como é o caso dos Correios e da Eletrobrás, e anunciam uma dita reforma administrativa como parte do enfraquecimento do Estado brasileiro.

O Dia Internacional dos Trabalhadores deve ser marcado por uma condenação veemente a esse cenário, com decido apoio à CPI da Covid-19 instalada no Senado Federal. Essa CPI pode aumentar o isolamento de Bolsonaro e contribuir para desmascará-lo, comprovando e demonstrando sua conduta criminosa e genocida.

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB), por meio da sua bancada na Câmara dos Deputados e da atuação de suas lideranças sindicais, tem se destacado na luta contra essa onda devastadora para os trabalhadores. A ação do Partido em defesa da unidade de amplas forças políticas e sociais tem sido decisiva, por um lado, para conter o golpismo de Bolsonaro e sua conduta irresponsável no enfrentamento da pandemia, e, por outro, proporcionado êxitos importantes, como na aprovação do auxílio emergencial de 600 reais, socorro a pequenas e médias empresas e proteção ao emprego.

Para o PCdoB, o papel da classe trabalhadora na luta contra o bolsonarismo e as investidas do capital especulativo e dos rentistas contra os direitos do povo é decisivo. Sua capacidade de resistência e atuação efetiva tem sido demonstrada sucessivamente, especialmente nesse período de agravamento da crise. Nesse momento difícil, é preciso persistir no caminho da unidade e da mobilização para enfrentar essa maré de retrocessos civilizatórios. Somente assim será possível manter a esperança de que o mais breve quanto possível o país retomará o rumo do crescimento, do desenvolvimento nacional e do progresso social.

O PCdoB saúda a realização do Primeiro de Maio unitário, convocado pelo Fórum das Centrais Sindicais. Valorizamos e estamos engajados nas jornadas de luta pelas quatro bandeiras da unidade: Vacina Já para Todos, Auxílio Emergencial de R$ 600,00, Defesa do Emprego e Ações de solidariedade.

Igualmente, destacamos a importância da defesa da democracia, constantemente ameaçada pelo bolsonarismo. O regime democrático é fundamental para todo o povo, mas sobretudo para a classe trabalhadora, porque é com o ar puro das liberdades que floresce e cresce a luta política contra a exploração e se abre caminhos à jornada por um novo projeto nacional de desenvolvimento como caminho brasileiro para o socialismo.

Viva o Primeiro de Maio, de unidade, luta e esperança!

Fora Bolsonaro!

*Presidenta do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

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