Aborto legal e seguro de menina de 10 anos é realizado após expulsão de extremistas

Parlamentares evangélicos tentaram invadir hospital

Dezenas de mulheres se reuniram e expulsaram fundamentalistas religiosos que estavam em hospital tentando impedir aborto legal de menina de 10 anos estuprada pelo tio. Autorizado por lei, procedimento foi realizado em segurança e menina passa bem

Dezenas de mulheres foram até o Centro Integrado de Saúde Amauri de Medeiros (Cisam), no Recife (PE), e expulsaram os extremistas religiosos que tentavam impedir o aborto da menina de 10 anos que foi estuprada pelo tio. O procedimento foi realizado em segurança e a criança passa bem.

O Brasil, por lei, permite o aborto em casos de gravidez decorrente por estupro e em casos onde há risco de vida para a mãe ou anencefalia do feto.

Durante o domingo (16), grupos conservadores permaneceram em frente ao Cisam e criticaram a realização do procedimento, mesmo após a autorização do Tribunal de Justiça do Espírito Santo.

Estiveram no local os parlamentares Clarissa Tércio (PSC), Cleiton e Michelle Collins, ambos do PP, o vereador Renato Antunes (PSC), o deputado estadual Joel da Harpa (PP) e a ex-deputada Terezinha Nunes (MDB).

Com a chegada dos coletivos de mulheres feministas, os políticos conservadores e os fundamentalistas religiosos se dissiparam e acabaram abandonando o local aos poucos.

De acordo com o boletim médico divulgado pelo hospital, a menina conseguiu expelir o feto espontaneamente nesta segunda-feira (17), após a indução iniciada ontem à noite.

Segundo Benita Spinelli, coordenadora de enfermagem do Cisam, a criança está acompanhada da avó e de uma assistente social que veio do Espírito Santo, e nesta manhã passa por uma avaliação multiprofissional que deve analisar a necessidade de retirar os últimos vestígios do feto por meio de uma curetagem.

“Quando ocorre a indução do aborto pela medicação, às vezes não sai completo; se isso ocorrer, ela deve ser submetida à curetagem ainda hoje. Se tudo seguir bem, ela deve ter alta amanhã”, afirmou Spinelli.

A garota passou pelo procedimento no Recife após o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, em Vitória, se negar a realizar o aborto, mesmo com autorização judicial.

Spinelli conta que o processo de aborto demora horas e que tudo está correndo como esperado até aqui.

“Para se fazer esse procedimento, existe uma sequência. Assim que ela chegou, foi feita a indução, mas isso leva algumas horas. Ela já expulsou, na verdade, e agora está sendo atendida por essa equipe multiprofissional.”

Sobre os protestos na noite de ontem contra o aborto, na porta da unidade, ela classificou como “balbúrdia” e disse que a equipe tentou blindar a menina de ouvir o que era dito do lado de fora da instituição.

“Uma coisa completamente contraditória; pessoas fazendo esse tipo de atividade na porta de um hospital, que é um local que requer silêncio, tranquilidade, ainda mais por ser uma criança de 10 anos, que há quatro anos era estuprada, que teve de sair para outro estado para ter seu direito garantido”, disse a coordenadora.

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