ADEUS NENÉM MIOLO



Não há como contar a história de Santa Cruz sem nela incluir uma figura folclórica e muito querida.

 Ele nos deixou esses dias e não vinha sendo notado nos últimos tempos.

Nascido em 20 de janeiro de 1931, na zona rural de Santa Cruz, cidade onde passou a vida inteira, Neném (Miolo) se inseriu na história da cidade pelo seu jeito particular de ser.

Sebastião Paca da Silva andava pelas ruas da cidade com um pedaço de pau e não tinha medo de ninguém. Quando alguém o ameaçava, ele dizia: “meu irmão é ‘adevogado’, não tenho medo”, referindo-se ao fato do seu irmão, Dr. Cloves Pacas, ser advogado (um dos primeiros de Santa Cruz, era da segunda turma da FADICA, hoje ASCES UNITA, juntamente com Claudio Abílio Aragão e Rivaldo Aragão).

Filho de dona Santina, Neném teve uma vida muito simples. Entre seus irmãos, podemos destacar Inácio Pacas (in memoriam), Dr. Cloves Pacas e Abdias Pacas (in memoriam). Neném era tio do Dr. Clauston Pacas (engenheiro civil e empresário da CP Construção).

Mas, com certeza, Dr. Cloves, advogado e político, era o mais admirado por Neném, sobretudo no campo da política, que Neném sempre gostava.

Nas eleições acirradas e polarizadas de Santa Cruz, no tempo dos “cabeção”/”cabecinha” e dos “bocas pretas”, Neném era um boca preta fiel, partido que seu irmão Cloves militava, nos tempos de Braz de Lira, Padre Zuzinha, Lourival Moraes, Augustinho, dentre outros.

Acompanhava as passeatas, sempre animado e festejando sob as músicas do seu partido político de coração.

Os populares, “tirando brincadeira”, gritavam: “Miolo” e ele não gostava. Às vezes, alguns diziam: qual o melhor da melancia? E ele, não ficava tão zangado assim, às vezes, caía na risada, talvez até soubesse que o melhor da melancia era o “miolo”!

As ruas mais antigas da cidade, a Rua Grande, a Rua do Pátio, os becos do Padre, de Braz de Lira, de João Pereira, entre outras, as ruas mais “velhas” ainda lembram, com imagens passadas, antigas, daquele homem baixinho, ingênuo, vivendo, vivendo sem preconceito, sem ambição, sem ganância...

Conta-se que certa vez o levaram a São Paulo e, quando desceu do carro, um cidadão santa-cruzense que já estava em São Paulo, gritou: “Miolo”! Ele se virou e disse: “Tem um corno de Santa Cruz aqui também?”

Neném era muito conhecido, folclórico, mas ao mesmo tempo marcante e até meio extravagante, no bom sentido.

Desde ontem, a história nunca mais se repetirá! Neném não está mais entre nós, Neném se foi, com toda sua ingenuidade.

A história de Santa Cruz, sempre que for contada, terá que ter em suas páginas uma referência digna e inesquecível a Neném (Miolo) e no meio das páginas que estiverem Coronel Luiz Alves, Major Negrinho, Raimundo Aragão, Duda Barbosa, Padre Zuzinha... Sebastião Pacas da Silva (Neném Miolo) também vai figurar, com toda a dignidade do mundo!

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