Guerra comercial derruba Bolsas no mundo e faz dólar subir no Brasil

Ibovespa tem queda de quase 2% e a cotação da moeda americana chegou a R$ 3,94 na manhã desta segunda; Donald Trump acusa a China de 'manipulação cambial'

Luciana Xavier, Monique Heemann e Nicolas Shores, O Estado de S.Paulo

O nervosismo com o acirramento dos conflitos comerciais entre Estados Unidos e China predomina nos mercados globais e afeta também os ativos no Brasil nesta segunda-feira, 5. Por aqui, o dólar tem alta de mais de 1%, com cotação máxima de R$ 3,9477, e a Bovespa mantém queda de quase 2%, acompanhando a aversão a risco que predomina nas Bolsas de Nova York e da Europa. O índice de volatilidade Vix disparava quase 26% no fim desta manhã, no maior patamar desde maio.


Operadores da Bolsa de Nova York, que acumula perdas nesta segunda-feira. 
Foto: Johannes Eisele/AFP

Em Wall Street, as maiores perdas ocorrem nas ações dos setores financeiro e de tecnologia, com quedas de perto de 4%, como Bank of America, Citibank, Morgan Stanley e Apple.

Também nos EUA e em meio aos receios de desaceleração da economia, o índice de atividade do setor de serviços nos Estados Unidos recuou de 55,1 em junho para 53,7 em julho, informou o Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês). Analistas consultados pelo Wall Street Journal previam avanço a 55,7.

Na Bolsa brasileira a queda é generalizada: Petrobrás e Vale têm desvalorização de mais de 3%. As ações da CSN ON perdiam 5,42% no fim da manhã. As mineradoras e siderúrgicas são afetadas ainda pela queda de 6,66% na China, também relacionada à briga comercial entre as duas maiores potências do mundo. As ações dos bancos como Bradesco, Itaú Unibanco e Banco do Brasil caíam mais de 1%. O petróleo chegou a cair mais de 2%.

Trump acusa China de manipulação cambial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no Twitter que a China desvalorizou sua moeda para quase um nível histórico. "Isso se chama manipulação cambial", acusou. 

Nesta segunda, o dólar ultrapassou a marca psicologicamente importante de 7 yuans pela primeira vez desde 2008, depois que o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) estabeleceu a taxa de paridade em 6,9225 yuans por dólar, contra 6,8996 yuans por dólar na sexta-feira.

Segundo Trump, "isso é uma violação importante que enfraquecerá a China ao longo do tempo". Não é a primeira vez que o líder americano acusa Pequim de manipular o yuan para ter benefícios em disputas comerciais. 

O presidente ainda ironizou: "Está ouvindo, Federal Reserve (Fed, o banco central americano)?". Na última semana, ele afirmou não receber "ajuda" da autoridade monetária do país para sua economia. Na última quarta-feira, 31, O Fed reduziu os juros em 0,25 ponto porcentual, descendo a taxa para a faixa entre 2% e 2,25%. Foi o primeiro corte feito pelo Fed desde a crise de 2008


'Perturbações externas'

Sem citar especificamente as reiteradas acusações dos Estados Unidos de manipulação cambial, o presidente do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês), Yi Gang, afirmou nesta segunda que o país não usará a taxa de câmbio como uma ferramenta para lidar com "perturbações externas como disputas comerciais".

Em comunicado, a autoridade monetária insistiu que a taxa de câmbio do yuan está em um "nível apropriado", cuja flutuação é "impulsionada e determinada pelo mercado". "Muitas moedas se depreciaram contra o dólar desde o começo de agosto e a taxa de câmbio do yuan também foi afetada", disse.

Yi reiterou ainda que, "como um país grande responsável, a China vai se ater ao espírito dos líderes da cúpula do G20 sobre a questão da taxa de câmbio, aderir ao sistema de taxa de câmbio determinado pelo mercado, não vai se envolver em desvalorização competitiva e não usará a taxa de câmbio para propósitos competitivos".

A declaração foi publicada pelo PBoC uma hora antes das acusações de Trump no Twitter.

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