Alexandre Frota é expulso do PSL após criticar Bolsonaro

Expulso do PSL, Alexandre Frota já recebeu convites do DEM, PSDB, Podemos, MDB e PP. Nas últimas semanas, deputado fez diversas críticas ao presidente Jair Bolsonaro

Alexandre Frota

O deputado federal Alexandre Frota foi expulso do PSL nesta terça-feira (13). A decisão foi oficializada em reunião a portas fechadas e anunciada pelo presidente da legenda, Luciano Bivar (PE).

A expulsão ocorreu por unanimidade (nove votos). O pedido de desligamento de Frota partiu da deputada Carla Zambelli (PSL-SP).

Segundo Bivar, a expulsão está relacionada às declarações do deputado sobre o presidente Bolsonaro e sobre seus correligionários, e não a seu voto na reforma da Previdência.

Alexandre Frota foi eleito pela primeira vez para o cargo de deputado federal com 156 mil votos. Ele não tem poupado críticas ao governo Bolsonaro.

No segundo turno da votação, na Câmara, ele foi o único deputado do partido que se absteve de votar. De acordo com a cúpula do PSL, a decisão pela expulsão foi unânime.

A situação de Frota no partido se complicou nos últimos meses, e o deputado foi retirado da vice-liderança do partido na Câmara e da comissão da reforma tributária.

Em maio, Frota criticou o filho do presidente, o também deputado federal Eduardo Bolsonaro, e questionou seu posto como presidente estadual do partido. Ele chegou a dizer que “colocaria fogo” no partido. O deputado depois criticou a indicação de Eduardo para o posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

Frota chegou a ser o coordenador do PSL na comissão especial da Previdência e se consolidou como um dos principais articuladores do partido na questão, o que levou a uma aproximação sua com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Expulso, Frota não poderá ser acusado de infidelidade partidária e pode buscar outra legenda. Segundo informou a coluna Painel, duas novas casas possíveis são o PSDB e o DEM.

Críticas

Frota filiou-se ao PSL em 4 de abril do ano passado, informa o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre a eleição de 2018, em outubro, e a expulsão do partido, a tônica dos comentários do deputado nas redes sociais mudou. De apoiador dedicado, converteu-se em crítico que foi subindo o tom cada vez mais.

Logo após a confirmação de sua vitória na eleição para presidente do ano passado, por exemplo, Bolsonaro fez um discurso e uma oração acompanhado de pessoas que deveriam formar o núcleo duro de seu governo. Alexandre Frota estava entre elas.

Em março, com três meses de governo e um mês de atuação dos deputados, Frota afirmou que agora era considerado “persona non grata no governo Bolsonaro”. De acordo com o deputado, o racha teria acontecido por ele “defender a prisão do [Fabrício] Queiroz”, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente. Frota também disse que “pediu o afastamento do senador [Flávio] para ele apenas se defender”.

Em junho, Frota voltou a criticar o presidente Bolsonaro por conta de Fabrício Queiroz. Frota apontou que Bolsonaro estava irritado com denúncias envolvendo o presidente do PSL, Luciano Bivar. “Engraçado as denúncias do Queiroz /Flávio/funcionários fantasmas/ — isso não irrita o nosso Presidente? Bolsonaro diz ser insuportável um partido assim, a gente também”, postou o deputado no Twitter.

Em julho, compartilhou uma entrevista concedida à revista “Época”, cujo título continha uma frase sua: “Bolsonaro é minha maior decepção”. Na entrevista, perguntado o que achava de Jair Bolsonaro, o deputado respondeu: “Eu conheço dois Bolsonaros. O meu amigo, até o dia da eleição, e outro, presidente. Prefiro não falar mais.”

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