Mourão diz que 31 de março é “histórico” e evita polemizar sobre Maia

Metrópoles

Vice-presidente afirmou que democracia é “imprescindível” para o país e classificou os desencontros entre Executivo e Câmara como “ruídos”

VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão (PRTB), afirmou, na noite desta quarta-feira (27/3), que as comemorações de 31 de março, aniversário de 55 anos do golpe militar no Brasil, é um “fato histórico”. “Cada um tem sua ótica sobre isso aí”, afirmou.

Parentes de mortos e desaparecidos no período militar e entidades como o Ministério Público Federal e a Defensoria Pública da União repudiaram a orientação dada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) para que quarteis do país façam as “devidas comemorações” do dia. 

Segundo o general Mourão, a data de início da ditadura no Brasil, em 1964, será lembrada no futuro como “ápice das intervenções militares da República”, e nada será feito de diferente neste ano para celebrar o 31 de março.

Sobre os pedidos para que as comemorações sejam suspensas, Mourão disse que “estamos em um Estado Democrático de Direito” e contestações eram normais e legítimas. Questionado se a celebração da data não representava uma agressão às famílias das vítimas da ditadura, ele afirmou que “houve vítimas de ambos os lados”.

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade, de 2014, constatou que pelo menos 484 pessoas morreram ou desapareceram durante os 21 anos de ditadura no país, entre 1964 e 1985.

Embate com o Legislativo

O vice-presidente desconversou sobre o novo embate público entre Bolsonaro e Maia, dizendo que não acompanhou a entrevista do presidente à TV Band nesta quarta. 

À emissora, Bolsonaro afirmou que o presidente da Câmara estaria “abalado” por questões pessoais, como a prisão, semana passada, de seu sogro, o ex-ministro Moreira Franco (MDB-RJ). Na sequência, Maia respondeu que o presidente “está brincando” de comandar o país. E Bolsonaro, por sua vez, disse não haver brincadeira de sua parte

Informado sobre as declarações, o vice-presidente da República comentou serem apenas “ruídos”. Segundo Mourão, o presidente da Câmara dos Deputados é “imprescindível no processo que estamos vivendo atualmente no Brasil. Acho que ruídos ocorrem”, arrematou.

A caminho de um encontro ainda nesta noite com parlamentares e empresários da área de comércio e serviços, o vice-presidente afirmou que ainda não foi escalado para ajudar a melhorar o clima entre Planalto e Congresso Nacional. Em um recado ao Executivo, a Câmara aprovou na noite dessa terça (26) uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que obriga o governo a executar todo o Orçamento aprovado pela Câmara: é o chamado orçamento impositivo.

Apesar de ser o oposto do que propõe a equipe econômica, deixando ainda mais engessadas as obrigações da União, Mourão disse que o orçamento impositivo não é uma derrota imposta pelo Parlamento ao governo federal.

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