Das raízes aos novos ramos: um guia rápido do laranjal do PSL



CARTA CAPITAL

Pomar de desvio de verba continua dando frutos – e não deve parar de florescer tão cedo

Não é exagero afirmar que o laranjal é o maior problema de Jair Bolsonaro e de seu partido, o PSL. O escândalo que já custou a cabeça de Gustavo Bebianno continua dando frutos – e não deve parar de florescer.

Tudo começou com a revelação de que o Coaf investigava as contas bancárias de Queiroz, ex-PM e braço direito de Flavio Bolsonaro. Mas o caso Queiroz – que envolve pagamentos à primeira-dama e até a milicianos – não é o único fantasma a assombrar o governo.

A árvore começou a aparecer em fevereiro. No dia 4, a Folha de S. Paulo revelou que o ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antonio, que chefia o PSL em Minas, repassou verba a pelo menos quatro candidatas suspeitas de atuarem como laranjas.

Dias depois, o jornal trouxe à tona a história de Maria de Lourdes Paixão, candidata a deputada em Pernambuco que recebera – a três dias da eleição – 400 mil reais do fundo partidário. Teve 274 votos e gastou 380 mil em uma única gráfica.

Lourdes foi a terceira maior beneficiária de verba do PSL em todo o país. O estado, vale lembrar, é base eleitoral de Luciano Bivar, cacique do partido que cedera a presidência a Bebianno durante as eleições. A PF apura o caso.

Agora, o pé de laranjas ganhou um outro galho. Se durante as eleições o partido usou candidaturas femininas para repassar dinheiro não declarado, começam a aparecer as relações suspeitas entre blogueiros bolsonaristas e políticos aliados.

Um dos casos diz respeito à uma colaboradora do blog Terça Livre, responsável pela falsa denúncia que inspirou os ataques de Bolsonaro a uma repórter do Estadão. O jornal descobriu que trabalha para o deputado Bruno Engler (PSL) em Minas Gerais.

Outro blog bolsonarista, o República de Curitiba, também está implicado. Candidata a deputada nas últimas eleições, a dona do portal repassou ao marido – que trabalha na Embrapa – 60% da verba eleitoral que recebera do nanico PRP para a campanha. Passadas as eleições, diz a Folha, Elisa Robson ganhou um cargo no gabinete de Flávio Bolsonaro com salário de 8,6 mil reais.

Pelo menos uma das candidatas envolvidas no esquema mineiro relata que o ministro Alvaro Antonio, então candidato a deputado federal, pediu a devolução de parte da verba recebida. Em depoimento ao Ministério Público Eleitoral, Adriana Borges disse que tomou um susto com a “proposta indecente” do assessor dele: receberia 100 mil, mas teria de devolver 90 mil e ainda emitir 9 cheques em branco. Outras quatro mulheres devem ser ouvidas.

Alvaro Antonio nega tudo. Foi ao STF reclamar foro privilegiado, mas voltou atrás e o caso foi arquivado. Entre uma manobra e outra, o ministro do Turismo bambeia no cargo. O processo de fritura dele já começou, embora em fogo bem mais brando que o de Bebianno. Se fossem laranjas, acrescentando um pouco de açúcar virariam uma geleia.

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