Bolsonaro se enrola para admitir mamata de Marun em Itaipu



Vídeo ganhou as redes sociais e constrangeu até apoiadores convictos do atual presidente. "Quando você dormiu na Câmara por 28 anos e na chamada oral tem que pedir ajuda aos colegas", ironizou um crítico

Pragmatismo Político

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) pareceu confuso durante a nomeação das novas autoridades da Hidrelétrica de Itaipu, na fronteira com o Paraguai.

Questionado sobre o fato de o ex-ministro da Secretaria de Governo Carlos Marun ter sido nomeado para o Conselho de Itaipu, em um dos últimos atos do governo do ex-presidente Michel Temer, o presidente demonstrou não ter conhecimento da decisão.

“O Marun foi… tá mantido? Tá mantido no Conselho. Foi indicação do presidente Temer e o nosso compromisso é daqui para frente”, disse. Assista:
A gafe repercutiu imediatamente nas redes sociais. “Continuo apoiando nosso presidente Jair Messias Bolsonaro, mas ele precisa urgentemente ser melhor assessorado para não cair nessas armadilhas. Pega mal e passa uma imagem de insegurança”, pontuou um apoiador.

“No vídeo vemos várias coisas: 1- um presidente totalmente desinformado; 2- um presidente com rabo preso; 3- um presidente que mantém na diretoria de Itaipu o Marun, defensor e amigo de Eduardo Cunha e ex-ministro de Temer; 4- A fidelidade e cumplicidade entre o Bolsonaro e Temer. Admita, você foi enganado(a), escreveu Edu Kogempa.

“Quando você dormiu na Câmara por 28 anos e na chamada oral tem que pedir ajuda aos colegas… É por isso que foge da imprensa, não sabe responder nada”, ironizou outro internauta.

“Geralmente ele volta atras em questão de horas, mas dessa vez foi instantaneamente”, lembrou outro.

Na mesma cerimônia, Bolsonaro disse que trabalhou, como militar, na fronteira entre Brasil e Paraguai, assim como o novo diretor-geral de Itaipu, general Joaquim Silva e Luna, que serviu, por dois anos, como representante militar no Paraguai.

O presidente aproveitou para elogiar o atual mandatário do Paraguai, Mario Abdo Benitez, por “sua formação de direita, homem cristão, conservador, que quer o bem do seu País”.

Mas um clima de desconforto pairou no ar quando Jair Bolsonaro decidiu enaltecer o ditador pedófilo Alfredo Stroessner. 

Carlos Marun

Carlos Marun foi nomeado para o Conselho da Itaipu Binacional em uma manobra final do governo Michel Temer, em 31 de dezembro de 2018, horas antes do então presidente deixar o cargo.

No início de janeiro, o atual vice-presidente, Hamilton Mourão, classificou como um “prêmio” de Michel Temer a Carlos Marun a nomeação do ex-ministro emedebista para Itaipu Nacional. Na avaliação do vice, “não é ilegal, mas não foi ética”. Mourão defendeu que a decisão de Temer fosse anulada por Bolsonaro, mas isso não aconteceu.

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, autorizou em setembro do ano passado três inquéritos contra Marun — que também é conhecido como o ‘amigo solitário’ de Eduardo Cunha.

As investigações estão relacionadas à operação Registro Espúrio. Carlos Marun teria demandado a aprovação de registros sindicais de três entidades de Mato Grosso do Sul, estado pelo qual foi eleito deputado federal.

Marun foi implicado pelo delator Renato Araújo, que atuava no Ministério do Trabalho e foi preso preventivamente na primeira fase da operação.

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