'Só falta confiança para o investimento privado voltar', diz Schwambach

Novo secretário de desenvolvimento econômico quer reduzir burocracia e ampliar busca por novos negócios em Pernambuco

Por: Marina Barbosa, da Folha de Pernambuco

Bruno Schwambach, secretário de desenvolvimento econômico de Pernambuco
Foto: Kleyvson Santos / Folha de Pernambuco

Responsável pela atração estadual de investimentos, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Sdec-PE) agora está nas mãos de Bruno Schwambach - economista que iniciou a carreira no setor privado, mas já vinha trabalhando no setor público na Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Recife - que quer melhorar o ambiente de negócios do Estado. A ideia é desburocratizar o processo de criação de empresas, ampliar a busca por novos negócios, fazer parcerias com a iniciativa privada e destravar convênios federais. Confira o planejamento da Pasta, que coordena o Porto de Suape, o Porto do Recife, a AD Diper e a Copergás:

Qual será a prioridade da Sdec?
A prioridade do governo é a geração de emprego e renda. A gente vai fazer um trabalho em conjunto, com uma série de ações voltadas para melhorar o ambiente regulatório, diminuir a burocracia, facilitar a vida de quem quer empreender e tentar destravar projetos e convênios que estejam retidos com o Governo Federal. Tudo voltado para gerar emprego e renda para o povo de Pernambuco.

Que ações serão tomadas para melhorar o ambiente de negócios?
A desburocratização, com a qual trabalhei muito no Recife, integrando sistemas e mudando a legislação para reduzir de 100 dias para 72 horas o prazo de abertura de uma empresa. Hoje, no Recife, uma pessoa consegue ter CNPJ e inscrição municipal para começar a empregar gente e faturar em 72 horas. Vamos tentar trabalhar isso com outras prefeituras, olhando para o empreendedorismo e a qualificação, para tentar identificar oportunidades e incentivar o desenvolvimento em cada região do Estado. 

Isso significa que a Sdec não vai ficar restrita aos grandes empreendimentos industriais?
A AD Diper vem mudando um pouco de foco. Começou basicamente na área industrial, mas já trabalha em diversos segmentos. E nós vamos ampliar mais. Planejamos um fortalecimento dos arranjos produtivos locais para ter atuação mais forte no interior. E também queremos trabalhar a economia criativa, que é forte no Recife por conta do Porto Digital. Queremos incentivar o uso desse tipo de mão de obra que é boa, produtiva e mais barata que em outros centros. Além disso, como fazia na Prefeitura do Recife, vou continuar trabalhando na atração de cabos submarinos e de infraestrutura de datacenter porque essa é a economia do futuro e esse tipo de investimento pode dar produtividade. 

Os investimentos públicos também serão reforçados?
Todos os estados e o país como um todo estão com grande dificuldade fiscal. Mas Pernambuco conseguiu investir bem, cerca de R$ 1,5 bilhão, nos últimos quatro anos. E a recomendação agora é continuar o que está andando, retomar o que está parado, seja por burocracia ou falta de recurso, para pensar em novos projetos. Mas o investimento público vai depender do cenário nacional e da economia como um todo, porque depende se vamos conseguir melhorar a arrecadação.

O cenário econômico nacional deve ajudar os planos estaduais?
Estamos muito otimistas com esse momento do Brasil. Apesar de o novo presidente ser de um campo político diferente, temos um alinhamento muito forte no ponto de vista econômico, com essa tendência mais liberal, mais favorável a quem quer empreender e com um novo pacto federativo, que dê mais recursos para os estados - menos Brasília e mais Brasil. Concordamos com tudo isso. Só temos preocupação na forma de implementação dessas medidas. Esperamos que tenham sabedoria e competência para implementar ações corretas, pois as intenções são favoráveis e o mercado também. Os fundamentos da economia estão muito bons, juros e inflação estão baixos. Só falta confiança para o investimento privado voltar a acontecer. Se tivermos um cenário de estabilidade, o investimento privado volta. E, como Pernambuco já teve crescimento maior que o do Brasil nos últimos dois anos, esperamos um ciclo de melhora na geração de emprego e renda.

O senhor disse que há um alinhamento com a política econômica federal. Então, espera ter um bom canal de negociação com Brasília?
A gente já está se programando para ir a Brasília. A agenda da economia de Paulo Guedes não tem viés ideológico e político. É uma agenda técnica. Acredito que isso vai nos dar liberdade para trabalhar de forma afastada do campo ideológico. E a economia parece estar estável, com apoio e propostas a que estamos alinhados. 

Qual será o assunto dessa reunião? 
Há projetos em andamento que esperamos viabilizar, destravando convênios e recursos. Estamos reunindo esses projetos. Vamos fazer um grupo de trabalho porque nem tudo é controlado pela Sdec. Tem muita coisa na parte de infraestrutura, desenvolvimento urbano, recursos hídricos e estrada. Mas já temos pontos para tratar, como a autonomia de Suape, recursos para dragagem e recuperação do cais do Porto do Recife, e a Transnordestina.

O alinhamento também se dá nas parcerias privadas? Já se falou muito aqui no Estado, por exemplo, na privatização da Copergás. 
A Copergás é uma empresa que tem crescido e investido bastante e é importante para nosso plano de melhorar a infraestrutura do Estado. Então, eventualmente pode ser que haja interesse do Estado de se desfazer da sua parte na empresa, mas isso não está em pauta agora. Mas não temos restrição a nenhuma solução ou modelagem. O que temos que fazer é ver quais parceiros podemos juntar, buscando oportunidades de concessão, PPP, convênio federal, investimento estrangeiro e banco de desenvolvimento. Não podemos perder oportunidades nem ficar com ativos parados porque é desperdício.

O governo já estuda alguma parceria com a iniciativa privada?
Algumas áreas do Porto do Recife podem ser disponibilizadas para a iniciativa privada. São terminais, armazéns e o terminal marítimo de passageiros. Mas também vamos buscar outros investimentos em infraestrutura e tecnologia porque com infraestrutura fica mais fácil atrair investimentos. 

Esses projetos e concessões podem levar a um ajuste do quadro de pessoal ? Já se fala de demissões no Porto do Recife. 
A gente vai fazer ajuste onde precisar, seja no Porto do Recife, em Suape, na secretaria. O Porto do Recife tem apresentado déficit. Por isso, temos que buscar mais receitas de um lado e diminuir custos de outro. Eventualmente, isso pode passar por corte de pessoal sim, mas não só lá. Onde a gente puder gerar mais eficiência e produtividade, vamos gerar.

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