Autores de vídeo contra nordestinos divulgam pedido de desculpas



Protagonistas de vídeo contra nordestinos se manifestam. IFMG também divulga posicionamento – um dos autores é professor da instituição de ensino

Lucas Paolinelli Campos e Vinícius Raposo

Ainda repercutem as falas de Lucas Paolinelli Campos e Vinícius Raposo contra nordestinos. Autores de um vídeo depreciativo que viralizou nas redes sociais, eles abandonaram a internet.

Lucas Paolinelli Campos, de 32 anos, é sócio da empresa Ramos e Campos Importação e Exportação Ltda, conhecida como Primus Gemstones.

Vinícius Raposo, de 29 anos, é professor de cursos EAD do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) e cursa doutorado em Zootecnia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Vinícius e Lucas decidiram se pronunciar através do seu advogado, que enviou ao Pragmatismo Político a seguinte nota:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Vimos, através da presente nota, pedir desculpas e retratar-nos do conteúdo do vídeo gravado em 30/12/2018 e viralizado nos últimos dias.

Em momento algum, tivemos a intenção de agredir verbalmente qualquer pessoa ou grupo de pessoas, tampouco quisemos expressar ali um sentimento de ódio, preconceito, discriminação ou incitação de violência. Nunca foi nossa intenção.

Aludido vídeo foi gravado em uma roda de amigos, e visava uma brincadeira privada, brincadeira essa que, reconhecemos ser infeliz e de péssimo gosto.

Veiculada de forma descontextualizada, tomou proporções inimagináveis, motivo pelo qual, de pronto, a rechaçamos e manifestamos total retratação.

Reiteramos o pedido de sinceras desculpas a todos aqueles que, por qualquer motivo, se sentiram ofendidos com as palavras ditas por nós, que não condizem com as nossas convicções.

Independentemente disso, no entanto, pedimos desculpas a todas as pessoas que de alguma forma foram atingidas pelo conteúdo desse vídeo e expressamos aqui a nossa certeza de que esse tipo de assunto não deve ser motivo de brincadeiras, mesmo que internas.

Lucas Campos
Vinícius Raposo

Belo Horizonte, 10 de janeiro de 2019.

IFMG se pronuncia

O Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) confirmou que Vinícius Raposo faz parte do quadro da instituição e que “as medidas legais cabíveis já estão sendo tomadas”. Leia a íntegra abaixo.

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG)- Campus Bambuí, dentro da sua história de 50 anos, vem a público reforçar o seu compromisso e respeito com a pluralidade do meio acadêmico.

Ambiente este que visa a busca pelo conhecimento, nas diferentes formas de aprender e entender o mundo que nos interpõe. Fato primordial para a valorização de um espaço de transformação, que deve ser permeado pelo respeito e pela democracia.

Diante desse contexto, o IFMG não compactua com nenhuma forma de discriminação, e tem trabalhado incansavelmente na promoção do respeito a diversidade, a discussão das diferenças e na eliminação das diferentes formas de preconceito existentes. Estando comprometido com a formação de indivíduos pautados no respeito.

O IFMG esclarece que está tomando as providências legais cabíveis em relação ao fato ocorrido envolvendo servidores de nossa instituição, e reafirma que essa postura não condiz com os preceitos de nossa instituição. Continuaremos lutando por uma educação inclusiva, livre de “amarras” e pautada na ética, moral e civilidade.

Direção Geral do IFMG – Campus Bambuí

Punição

Desde que o vídeo veio à baila, internautas cobram que os autores sejam punidos. “A xenofobia continua. Acho que cabe um bom processo para esses senhores saberem onde dói este tipo de preconceito. Nordeste não é um país; Nordeste é parte do Brasil”, escreveu um usuário.

Algumas pessoas citaram o caso Mayara Petruso como exemplo. A estudante de direito ficou famosa em 2010 por expressar seu ódio contra nordestinos nas redes sociais após a vitória de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais.

“Nordestino (sic) não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”, publicou Mayara em 2010. A jovem foi condenada pela Justiça Federal de São Paulo pelo crime de discriminação e recebeu uma punição de 1 ano, 5 meses e 15 dias de prisão, mas a pena foi convertida em prestação de serviço comunitário e pagamento de multa.

Mayara trabalhava em um escritório de advocacia, mas perdeu o emprego depois do caso. Ela também teve que mudar de cidade e de faculdade por conta da repercussão de suas mensagens.

A lei que pune o crime de xenofobia existe desde 5 de janeiro de 1989. Ela diz que “serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. A pena consiste em detenção de até 3 anos e multa.

Existem três formas de denunciar: a primeira delas é por meio da plataforma SaferNet, a segunda diretamente no site do Ministério Público Federal. Por fim, a denúncia em relação ao crime, cometido pela internet ou não, também pode ser feita pelo telefone, no Disque 100.


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