Bolsonaro: 10 passos em 30 dias de transição

Confira os principais movimentos do futuro presidente rumo ao Palácio do Planalto, um mês depois das eleições

Estado de Minas

(foto: Fernando Souza/AFP)

Eleito presidente da República em 28 de outubro de 2018, o capitão da reserva Jair Bolsonaro avança no governo de transição e deve concluir a montagem de seu ministério nos próximos dias. Confira 10 decisões e declarações que marcaram os primeiros 30 dias da construção do novo governo.

1 Sérgio Moro na Justiça


Quatro dias depois da eleição de Jair Bolsonaro à Presidência da República, o juiz federal Sérgio Moro aceitou o convite para assumir o Ministério da Justiça do novo governo. Em mensagem no Twitter, Bolsonaro disse, na ocasião, que "a agenda anticorrupção, anticrime organizado, bem como respeito à Constituição e às leis, será o nosso Norte!". Ao novo ministro, cuja escolha agradou em cheio o eleitorado do capitão, Bolsonaro prometeu "ampla liberdade". Nesta segunda-feira, o futuro ministro Moro anunciou a criação de uma secretaria de operações integradas para coordenar ações policiais em nível nacional.

2 Agricultura x Meio Ambiente


Depois de anunciar a intenção de fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, logo depois de eleito, Jair Bolsonaro voltou atrás e declarou que a pasta será mantida, com ressalvas. "Pretendemos proteger o meio ambiente sim, mas não criar dificuldade para o nosso progresso". Para o comando da Agricultura, Bolsonaro escolheua deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS), presidente da Frente Parlamentar Agropecuária do Congresso Nacional, conhecida como a bancada ruralista. Ela é engenheira agrônoma e empresária. A atriz Maité Proença chegou a confirmar sondagem da equipe de transição para assumir a pasta de Meio Ambiente, mas, nos primeiros 30 dias de composição do novo governo, não houve indicação formal de nome para a área.

3 Controle sobre o Enem


O presidente eleito Jair Bolsonaro disse que, ao assumir o governo, não permitirá a inclusão de determinadas questões no Enem. As críticas vieram depois que uma questão do caderno de linguagens que, no enunciado, mencionou o "pajubá, dialeto secreto de gays e travestis" como exemplo de patrimônio linguístico. Segundo Bolsonaro, o Enem deve tratar sobre “o que interessa”, citando geografia e história, por exemplo. De acordo com ele, o Brasil é um “país conservador” e seu objetivo, como presidente, é pacificar. O posicionamento gerou um mal-estar com o Ministério da Educação, já que a gestão das provas, hoje, proíbe a interferência do presidente, até por questão de segurança. “Se o presidente eleito vai ou não vai ver a prova, caberá a eles, a partir de 1º de janeiro, entender qual o modelo de gestão [que adotarão]”, afirmou nesta terça-feira o atual ministro da pasta, Rossieli Soares.

4 Ministério do Trabalho. Sim ou não?


Depois de anunciar a extinção do Ministério do Trabalho, em 7 de novembro, o presidente eleito Jair Bolsonaro se rendeu às críticas, voltou atrás e garantiu, no dia 13, que o status da pasta será mantido. "Vai ser ministério 'disso', 'disso', 'disso' e Trabalho", explicou, sendo questionado em seguida se haveria, então, uma fusão. "Tanto faz", completou, ressaltando que importante era o status de ministério. Trinta dias depois da eleição, ainda não há um desenho definitivo para as pastas ou a indicação de um nome para a área.

5 Mais perto dos EUA, mais longe da China


Para comandar o Ministério das Relações Exteriores, Bolsonaro escolheu Ernesto Araújo, um diplomata que ainda não esteve à frente de uma embaixada e ganhou a confiança de Jair Bolsonaro por compartilhar de uma ideologia que prioriza o alinhamento com Washington e a oposição severa ao multilateralismo. A escolha deve representar uma forte guinada na diplomacia do país, já que Araújo defende um patriotismo exacerbado e o repúdio virulento ao multilateralismo e ao "marxismo cultural". O futuro ministro qualificou a Europa como "espaço culturalmente vazio", declarou ser preciso "resistir" à China e tende a um estreito alinhamento à política do norte-americano Donald Trump.

6 Cubanos fora do Mais Médicos


No último dia 14, o Ministério da Saúde de Cuba anunciou o rompimento do acordo de cooperação para o Mais Médicos por discordar das exigências feitas pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro. Com isso, Cuba solicitou o retorno dos profissionais ao país. Até esta quarta-feira (28 de novembro), mais de 1,3 mil médicos cubanos deixaram o Brasil, e muitas cidades ficaram sem assistência. Nesta terça-feira, no Twitter, Bolsonaro voltou ao assunto e disse que o acordo entre Brasil e Cuba "era pretexto para financiar a ditadura". Os médicos que desejam ocupar uma das 8.517 vagas deixadas por cubanos em 2.824 cidades têm até 7 de dezembro para se inscrever pelo site mais-medicos.gov.br. "São 30.734 inscritos com registro (CRM) no Brasil", informou o Ministério da Saúde nesta terça.

7 Todos os homens de Paulo Guedes


O superministro da Fazenda indicado por Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, tem trabalhado com autonomia total desde a eleição e, além de escolher colegas alinhados a ele para as secretarias estratégicas do ministério, indicou os economistas Rubem Novaes e Pedro Guimarães para presidir o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, respectivamente, além de Joaquim Levy para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Sociail (BNDES). Os indicados de Guedes têm formação semelhante à do futuro ministro e são bem afinados em relação à defesa de privatizações, sendo que alguns já possuem experiência no processo.

8 Educação conservadora


Para comandar a Educação, Jair Bolsonaro escolheu o professor e filósofo colombiano Ricardo Vélez Rodriguez, que, segundo o presidente eleito, atende a "princípios" da bancada evangélica. Rodriguez é contra a discussão de gênero em sala de aula, apóia o projeto de lei "Escola sem partido" e já afirmou que, se o presidente quiser ver a prova do Enem antes de ela ser aplicada, "ninguém vai impedir". Nascido na Colômbia e naturalizado brasileiro em 1997, o futuro ministro é autor de mais de 30 obras e atualmente é professor emérito da Escola de Comando do Estado Maior do Exército. Rodríguez é mestre em pensamento brasileiro pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ); doutor em pensamento luso-brasileiro pela Universidade Gama Filho; e pós-doutor pelo Centro de Pesquisas Políticas Raymond Aron.

9 Cirurgia só depois da posse


Depois de marcar para 12 de dezembro a cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia, a equipe médica do presidente eleito reavaliou o paciente e decidiu operá-lo somente depois da posse, em janeiro. Uma infecção detectada em exame impediu a manutenção da data original. Agora, uma nova avaliação médica está marcada para 19 de janeiro e Jair Bolsonaro deve, então, ser empossado ainda com a bolsa.

10 "Vai ter um montão de ministro militar"


Um dia depois de anunciar o general da reserva Hamilton Mourão (embaixo, ao centro) como vice em sua chapa, o então pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro afirmou que, caso eleito, o ministério seria composto por “um montão de militares". E assim está sendo. Além do general Fernando Azevedo e Silva (Defesa), já foram indicados o tenente-coronel Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), o general Augusto Heleno (Segurança Institucional), o general-de-divisão Carlos Alberto dos Santos Cruz (Secretaria de Governo) para compor o governo. 

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