Nicolás Maduro é reeleito na Venezuela

por Redação
Carta Capital

Presidente conquista novo mandato de seis anos, mas opositores não reconhecem a eleição

JUAN BARRETO / AFP
Nicolás Maduro celebra vitória no domingo 20

Com quase todas as urnas apuradas, o Conselho Nacional Eleitoral confirmou no domingo 20 que Nicolás Maduro foi reeleito presidente da Venezuela. Em um pleito não reconhecido pela oposição e por diversos países, o chavista conquistou, até o momento, 67,7% dos votos. O segundo colocado foi Henri Falcón (21,2%), seguido por Javier Bertucci (10%). 

De acordo com a presidente do CNE, Tibisay Lucena, apenas 46,1% dos eleitores compareceram às urnas. Neste cenário, diversas zonas eleitorais permaneceram abertas após o horário definido para o enceramento do pleito. 

Maduro celebrou o resultado dizendo que seus adversários o “subestimaram” e que sua vitória foi “histórica” e “quebrou recordes”. Segundo ele, o resultado seria o mesmo caso a oposição não tivesse boicotado as eleições. Diversos partidos e candidatos oposicionistas relevantes estavam inelegíveis.

Em um pronunciamento no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, o presidente venezuelano disse estar disposto a conversar com seus opositores e que seu governo deseja a paz. O chavista afirmou também que o país não terá eleições nos próximos dois anos. 

Baixa participação

Menos da metade dos venezuelanos participaram das eleições no domingo. Essa estratégia foi incentivada pela Mesa da Unidade Democrática (MUD), como forma de deslegitimar o pleito. Segundo o grupo, para quem Maduro manipulou a disputa em seu favor, menos de 30% dos eleitores votaram. 

A imprensa internacional relatou que diversas zonas eleitorais estavam vazias em Caracas. 

Henri Falcón, segundo colocado na disputa, não reconheceu o resultado. Diversas pesquisas de opinião o colocavam, ao menos, em empate técnico com Maduro. Ele defendeu que novas eleições ocorram em outubro deste ano devido a manipulações realizadas pelo governo, como entrega de alimentos e dinheiro a quem votasse. 

Voto por recompensa

A oposição denunciou a instalação dos chamados "pontos vermelhos", mecanismo usado pelo governo para controlar os votos da população. Henri Falcón e Javier Bertucci disseram ter recebido cerca de 350 denúncias de irregularidades ligadas a eles.

Os pontos vermelhos são tendas instaladas pelo governo perto das seções eleitorais. Simpatizantes dão orientações aos eleitores sobre como votar nos candidatos do chavismo.

De acordo com Bertucci, o governo tinha firmado um acordo para montar esses pontos vermelhos a 200 metros dos colégios eleitorais, mas muitos deles foram registrados a distâncias menores ou mesmo dentro dos locais de votação.

Segundo os políticos, os venezuelanos foram coagidos a ir às urnas para votar em Maduro em troca de recompensas. Críticos alegam ainda que o governo estaria assustando a população fazendo-a acreditar que quem não votar poderá ficar sem as rações de comida.

A imprensa relatou que muitas dessas tendas acumularam filas de eleitores no domingo. Ali, eles apresentavam aos voluntários seu chamado "cartão da pátria" – por meio do qual recebem os benefícios do governo, como alimentação –, na esperança de receber um bônus em dinheiro por ter votado.

A presidente do CNE desqualificou as denúncias da oposição, afirmando que não são "nada" em comparação com outros processos de votação. "Recebemos denúncias de natureza diferente, nada que se compare com outros processos eleitorais, mas a nossa avaliação demonstra que tudo decorreu com tranquilidade", disse Tibisay Lucena. 

A chefe do CNE afirmou, contudo, que as denúncias, feitas em sua maioria contra as organizações que apoiam a reeleição de Maduro, foram atendidas, analisadas e que algumas serão averiguadas.

EUA contestam votação

Vários países – incluindo União Europeia, EUA, Canadá e inúmeros Estados vizinhos, entre eles o Brasil – haviam pedido a suspensão das eleições por considerarem que não há condições para a realização de uma votação livre na Venezuela.

Os presidentes da Argentina, Mauricio Macri, e da Colômbia, Juan Manuel Santos, declararam que não reconhecerão o vencedor. O mesmo foi reafirmado pelo governo americano.

Com informações DW.

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