Peemedebista afirma que continuará no comando da Câmara até fevereiro
KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA
Em entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo”, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que só deixará o cargo em 1º de fevereiro do ano que vem. Foi uma reação à sugestão de bastidor para que ele renuncie à presidência da Câmara assim que tiver início um eventual governo Temer.
A declaração teve repercussão no Supremo Tribunal Federal e entre os articuladores do futuro governo Temer. No Supremo, pegou mal, porque há possibilidade de o tribunal julgar em breve o pedido do Ministério Público para o afastamento de Cunha da presidência da Câmara e também do mandato.
A afirmação do peemedebista não o ajuda no Supremo, que fica numa saia justa. Em relação aos articuladores do governo Temer, a leitura foi de que Cunha mandou um recado: não aceita pressão para renunciar ao comando da Câmara.
Pedra no sapato
Na hora em que o PT está sendo apeado do poder, a Lava Jato avança sobre um importante líder da oposição e também sobre a cúpula do PMDB. Ou seja, quer investigar políticos que darão apoio ou participarão do futuro governo Temer.
Em resumo, a Lava Jato continuará a ser um problema para quem estiver no Palácio do Planalto.
Baseado na delação premiada do senador Delcídio do Amaral, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de inquérito contra o presidente do PSDB, Aécio Neves (MG), e integrantes da cúpula do PMDB, entre os quais o senador Romero Jucá (RR), cotado para ser ministro do futuro governo Temer.
A delação de Delcídio também pode resultar em pedidos de investigação contra a presidente Dilma e o ex-presidente Lula.
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